Memórias festivas da MPB

Nem Secos apresenta show do espetáculo ‘Dançando na Vida’, que revive a psicodelia brasileira com personalidade

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Diverso. Além de grupo cênico-musical, o Nem Secos mantém um centro cultural no bairro Bonfim
RailaMelo
Diverso. Além de grupo cênico-musical, o Nem Secos mantém um centro cultural no bairro Bonfim

À primeira vista, pode ser que Arnaldo Baptista ressurja na interpretação de Luã Linhares, Baby Consuelo apareça na performance de Deh Mussulini ou Ney Matogrosso se materialize no suingue de Carlos Linhares. Mas, depois de 10 anos na estrada prestando homenagens e carregando influências estéticas, musicais e performáticas da MPB psicodélica dos anos 60 e 70, o grupo Nem Secos apresenta agora sua própria personalidade com o primeiro espetáculo autoral, “Dançando na Vida”, que eles mostram hoje à noite, no Mercado do Cruzeiro.

O espetáculo integra a programação do projeto Conexão BH e é fruto do Concurso Cultural 2014, promovido pelo Ministério da Cultura, no qual o grupo Nem Secos foi selecionado entre 2.000 concorrentes para realizar cinco apresentações na cidade durante a Copa do Mundo.

Apesar de ter sido concebido e de ter estreado no ano passado, o espetáculo “Dançando na Vida” foi obrigado a colocar o pé no freio quando os integrantes sofreram a perda do vocalista Vinícius Maia, o Mainha, que teve o corpo encontrado em Rio Casca, na Zona da Mata, em agosto de 2012, após ter um surto psicótico na estrada durante uma viagem e passar oito meses desaparecido. “Foi uma fase difícil, um baque na nossa vida. Agora encaramos como uma retomada”, diz o baixista Carlos Linhares.

Com sangue renovado, o Nem Secos apresenta um repertório de 14 canções inéditas, que misturam maracatu, funk, soul, baião, rock, frevo, reggae, MPB, samba, afoxé e funk. As letras do novo trabalho endossam “a liberdade de cada um ser o que é”, além de criticar comportamentos sociais modernos, como faz a música “Anti-herói”: “Somos super, somos superficiais / Somos hiper, somos hiper tensos / Somos ultra, somos ultrapassados”. O espetáculo ainda tem parceria com a Companhia de Dança Será Q. e interpretação cênica dos bailarinos Rodrigo Pinheiro e Gutiele Ribeiro, que incorporam um tom de estética hippie e sessentista ao show, influências de espetáculos passados do grupo, como “Tropicália em Transe” (2004), “MPB na Ditadura” (2007) e “Rock Brasil Anos 70” (2010). “A coreógrafa Bete Arenque montou toda a dança e a interpretação, que remete ao questionamento e à contestação que as nossas músicas expõem”, diz Linhares.

Em um grupo que oscila os componentes a cada espetáculo novo, o Nem Secos é formado atualmente por Alexandre Mestiço (voz e violão), Berci de Lima (voz) Carlos Linhares (baixo e voz), Deh Mussulini (voz), Gustavo Maia (voz e violão), Leandro Said (gaita, sax e flauta), Leonardo Clementine (guitarra e voz), Luã Linhares (teclado e voz), Padé Faraco (percussão), Sune Salminen (bateria), além dos dois bailarinos que acompanham a trupe nessa nova fase.

Após o show no Mercado do Cruzeiro, o grupo Nem Secos ainda se apresenta no Parque Municipal Américo Renné Giannetti (4 de julho), Centro Cultural Lagoa do Nado (6 de julho) e Centro Cultural São Bernardo (12 de julho). Depois, a banda leva o show por outras cidades do Brasil a serem definidas.

Agenda

O QUÊ. Nem Secos apresenta o show “Dançando na Vida”

ONDE. Mercado Distrital do Cruzeiro (rua Ouro Fino, 452, bairro Cruzeiro)

QUANDO. Hoje, às 19h

QUANTO. Entrada gratuita

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