Está tendo Copa!

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Não era um jogo do Brasil, mas a chance de conhecer a estrela, a surpresa e, por que não dizer, a zebra deste Mundial, aquela que reverteu os prognósticos e se tornou o algoz dos campeões mundiais do seu grupo, a mesma que venceu sem cerimônias o Uruguai e a Itália, o que acabou despachando antecipadamente a Inglaterra. Grupo da morte? Pra quem, cara pálida? A pequena Costa Rica se tornou um gigante e isso é sempre genial, principalmente em uma Copa do Mundo. Mas quem foi ontem ao Mineirão não viu a magia desta seleção que fez os favoritos desceram do salto, os jornalistas especializados reconhecerem que não fizeram o dever de casa, destruiu todos os bolões, pegou de calça curta os lojistas – que não têm sequer uma bandeirinha daquele país para vender – e, o melhor, fez a alegria do torcedor, costa-riquenho ou não (quem não simpatiza com uma trajetória dessa?). Classificadíssima para a próxima fase do Mundial, a Costa Rica não arriscou levar cartões amarelos ou vermelhos, nem expôs seus jogadores a contusões. Do outro lado, a Inglaterra desclassificada não fez como a Espanha, e acabou indo pra casa sem lavar a honra. Foi um jogo morno, pra dizer o mínimo, com um placar que foi a cara da partida: 0 a 0. Naquele momento, os olhos do mundo futebolístico estavam interessados em outra partida, esta de vida e morte, entre Uruguai e Itália. E a Celeste acabou eliminando a Squadra Azzurra, fazendo esta Copa ficar mais feia, esteticamente falando. Que pecado! Mas naquele momento ainda não se sabia. E, no Mineirão, se o time da Inglaterra não se empenhou como devia, nem mesmo com a presença do membro da família real britânica, o príncipe Harry, nos camarotes, o mesmo não se pode dizer da torcida inglesa. Alegres e fantasiados, eles fizeram a festa no estádio, cantando seus gritos de guerra e até o “God Save the Queen”, mostrando que estavam mesmo a fim de festa. Já os costa-riquenhos, segurando a garganta para momentos mais decisivos, nas poucas vezes – comparado aos britânicos – que entoaram o seu “olê, olê, olê, olê, tico, tico”, eram seguidos pelos brasileiros, mesmo sem saber o que significava aquele “tico, tico”. “É uma outra forma de dizer ‘costa-riquenhos’”, me explicou um torcedor da Costa Rica, que sentou ao meu lado, no segundo tempo da partida, depois de eu haver cantado várias vezes “olê, olê, olê, olê, tico, tico”. Valeu, tico, pela explicação. Mesmo com a ajuda dos brasileiros – que vez ou outra, disparavam um “E-li-mi-na-do!”, provocando a Inglaterra –, os ingleses levaram a melhor, entre os torcedores. Pôde se ouvir ainda o “eu sou brasileiro, com muito orgulho e com muito amor...” e gritos de “Brasil, Brasil, Brasil”. E, pasmem, um “Ei, Corinthians, vai tomar no cu”, que, só depois, já dentro do ônibus na volta do estádio, soube do que se tratou: um corintiano arrumou uma confusão e foi retirado por policiais, sob os gritos irados do estádio. Ufa, não foi nada pessoal. No mais, se não foi a partida mais emocionante da minha vida, serviu para me mostrar que, sim, está tendo Copa. Eu e minha amiga Uiara fomos e voltamos tranquilamente de Move até o Mineirão, em questão de 20 minutos, sem nenhum incidente; passamos pelas barreiras, com policiais bem educados; fomos recebidos por vendedores simpáticos, usamos banheiros limpos, com papel higiênico, sabonetes e papel toalha; comemos e bebemos sem termos que enfrentar filas quilométricas. Tudo muito bem sinalizado e organizado. Demos sorte? Não creio. Apesar dos seus detratores, a Copa pode não ser uma Costa Rica, mas também não é uma Inglaterra.

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