Dois brindes ao Fusca

iG Minas Gerais |

ANDREW WINNING/AP Photo
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Ele é tão querido e importante que, diferentemente do convencional, quando o comum é escolher um dia do ano para celebrar alguma data, nosso personagem da semana conta com duas. Falamos do simpático Fusca, que reserva, sempre, para comemorar sua existência, um dia no mês de janeiro e outro em junho. E nessa última celebração, o lendário Fusquinha não se faz de rogado: seus súditos levantam brindes no mundo todo. Afinal, no último domingo, 22, se comemorou o Dia Mundial do Fusca.  Por isso, a coluna de hoje rende justa homenagem para o pioneiro de toda uma geração. Um tributo a um guerreiro que tem muitas histórias para contar. O primeiro carro de milhões de brasileiros merece ser reverenciado por tudo que representou em nossas vidas. Foram produzidos, no Brasil, 3,1 milhões de unidades do Fusca, e muitas delas ainda rodam inteiras e valentes pelos mais distantes pontos do país. Além de fazer parte da história de nossa economia, que tem na indústria automobilística seu principal vagão como gerador de renda.  Incontáveis são os que aprenderam a dirigir ao volante de um Fusca (inclusive eu), e tantas outras pessoas tiveram o carrinho como o primeiro de muitos outros em suas vidas. Já dizia meu avô que “nada mais se parece com um automóvel do que um Volkswagen”. E ele podia afirmar isso com a propriedade dos que nasceram no fim do século XIX e que tiveram a oportunidade de assistir, de camarote, a evolução da indústria automobilística mundial. Seu primeiro automóvel, como ele se referia aos carros, foi um Ford T, mas, certamente, teve um Fusquinha em sua garagem. Meu pai também, meus tios e tantos outros conhecidos que seria impossível citar todos.  Criado por Ferdinand Porsche, o Fusca surgiu na Alemanha em 1938, para se tornar o “carro do povo”, como já estava previsto na escolha de seu nome. No Brasil, chegou importado, em 1950, e nove anos depois, com a instalação da fábrica de Anchieta, no Estado de São Paulo, ganhou linha de montagem própria. Até hoje, depois de 55 anos da primeira unidade inteiramente nacional – o que ocorreu em 3 de janeiro de 1959 – um modelo bem-conservado, daqueles “brilhando” e todo original, é motivo para um desviar de atenção.  O número de clubes que reúnem fãs do Fusca atesta a informação. O besouro, de tão próximo, parecia um membro da família. Nenhum filme enfocando automóveis fez tanto sucesso como “Se Meu Fusca Falasse”, no qual o carro foi humanizado na figura de Herbie, nome dado ao Fusquinha protagonista da trama, que se tornou um herói. Perseguiu e prendeu os fora da lei, promoveu encontros românticos e, claro, no final sempre feliz de Hollywood, separou os bandidos dos mocinhos para seguir seu caminho.  São tantas as histórias sobre o Fusca, que por aqui ele comoveu até políticos, quando, a pedido pessoal do então presidente Itamar Franco teve, em 1994, sua linha de produção reativada. Por mais dois anos, ele voltou a sair zero-quilômetro da fábrica e essa safra é hoje motivo de cobiça para os colecionadores. O México foi o último país do mundo a encerrar a produção do modelo (foto). Aí, o Fusca saiu de linha passando a fazer parte da história. Portanto, quando a VW encerrou sua fabricação, publicou a mensagem: “Às vezes, o avanço tecnológico de uma empresa não está no que ela faz, mas no que ela deixa de fazer”.

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