Excesso de estrelas no mesmo time pode ser um ‘tiro no pé’

Coordenação das estratégias fica mais difícil com o excesso de egos inflados

iG Minas Gerais | Da redação |

Decepção. Xavi Hernandez e Iker Casillas, duas estrelas da campeã Espanha, em entrevista após a eliminação da Copa
ALEX DE JESUS/O TEMPO
Decepção. Xavi Hernandez e Iker Casillas, duas estrelas da campeã Espanha, em entrevista após a eliminação da Copa

Uma equipe de futebol formada por grandes estrelas, diferentemente do que se imagina, pode estar fadada ao fracasso justamente pela riqueza do seu elenco. Um estudo da Association for Psychological Science dos Estados Unidos mostra que o excesso de jogadores talentosos pode prejudicar o desempenho do grupo nas competições.  

Seria esse o caso da Espanha, a campeã mundial de Diego Costa, Xavi e Casillas, eliminada precocemente na primeira fase da Copa do Mundo no Brasil? Segundo a tese do professor Roderick Swaab, provavelmente sim. “A maioria das pessoas acredita que a relação entre talento e desempenho da equipe é linear – quanto mais sua equipe está repleta de talentos, o melhor eles vão fazer”, afirmou Swaab ao “Psychological Science”, o jornal oficial da associação norte-americana.

Porém, acrescenta o pesquisador, o estudo coordenado por ele mostrou que, especialmente em equipes que exigem altos níveis de interdependência, como futebol e basquete, o excesso de estrelas prejudica o desempenho da equipe, “porque eles (os esportistas) não conseguem coordenar suas ações”, ficando mais preocupados em ser o centro das atenções. “O talento facilita até certo ponto, pois pode minar a disposição dos jogadores para coordenar”, diz Swaab. Ele esclarece, no entanto, que em esportes mais individualistas, como o beisebol, níveis muito elevados de talento não parecem prejudicar o desempenho.

Publicado no dia 11 de junho deste ano, um dia antes do início da Copa do Mundo no Brasil, o estudo já profetizava o que viveriam seleções de destaque como Espanha e Inglaterra. “Treinadores que simplesmente compuserem sua equipe com ‘superstars’ podem, ao contrário da crença popular, ter uma saída precoce do Brasil!”.

O trabalho faz um paralelo do esporte com a vida nas empresas. “Como as equipes de esportes, as equipes nas organizações variam em seus níveis de interdependência. Quando o sucesso do grupo só depende da acumulação de desempenho individual (por exemplo, as equipes de vendas), a contratação de pessoal poderia simplesmente se concentrar em obter os indivíduos mais talentosos a bordo”, explica Swaab.

O professor completa: “No entanto, essas mesmas estratégias podem ferir uma vontade de coordenar de forma eficaz quando o sucesso da equipe depende de altos níveis de interdependência (áreas de estratégia, por exemplo). Quando a interdependência entre os membros é alta, as organizações poderiam contratar um mix melhor ou investir mais na formação de papéis, graus e responsabilidades”, ensina Swaab.

Flash

Memória. No Mundial da África do Sul, em 2010, a seleção brasileira foi derrotada nas quartas de final. O algoz foi a Holanda. A vitória do time europeu foi por 2 a 1, de virada.

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