Estacionamentos enchem, e flanelinhas fazem a festa perto do Mineirão

Movimentação em função do jogo entre Costa Rica e Inglaterra gerou faturamento extra para comércio no entorno do estádio

iG Minas Gerais | LUIZA MUZZI |

Três horas antes de a bola rolar no Mineirão, no jogo entre Inglaterra e Costa Rica, na tarde desta terça-feira, já era grande a disputa por vagas em bairros do entorno do estádio. Quem optou por ir de carro à Pampulha encontrou o assédio de dezenas de flanelinhas, que tentavam, no grito, conduzir os motoristas a estacionamentos improvisados em lava-jatos, prédios e até mesmo em um seminário. Sem muita opção de lugar para deixar o veículo, graças ao perímetro delimitado pela Fifa em volta do Mineirão, muitos pagavam até R$ 100 pela vaga.

O maior movimento aconteceu no bairro Ouro Preto. Para quem seguiu pela avenida Presidente Carlos Luz, a alternativa era virar à esquerda na rua Conceição do Mato Dentro onde, logo nos primeiros quarteirões, vários flanelinhas e funcionários de estacionamentos já indicavam os locais disponíveis. Em estabelecimentos fechados, o preço médio cobrado por veículo variava entre R$ 30 e R$ 60. Já os motoristas que resolveram deixar o carro na rua acabavam precisando desembolsar R$ 10 na ida e R$ 10 na volta do jogo.

Na rua Jornalista Wilson Ângelo, nem mesmo a presença de policiais militares e agentes da BHTrans intimidou a ação dos flanelinhas. A pouco menos de uma hora do jogo, muitos se debruçavam, ao mesmo tempo, sobre cada carro que aparecia, disputando o motorista pelo preço e pela comodidade de cada local - alguns ofereciam, além da vaga, banheiro grátis e bebidas a valores mais acessíveis que no estádio.

Por volta de 12h, as 106 vagas de um estacionamento na região já estavam preenchidas. Para os proprietários, que cobraram, hoje, R$ 50 por carro, o lucro ultrapassou os R$ 5.000. “A gente sobrevive da sazonalidade dos jogos, porque no dia a dia aqui não fica assim, tem só os mensalistas”, conta a proprietária Jaqueline Feital, 44. “Fazemos divulgação no Facebook e já temos 31 reservas para o jogo do Brasil sábado”, comemorou. “Até agora, o jogo da Colômbia foi o mais lucrativo. Hoje os flanelinhas estão quebrando a gente”, contou um funcionário do estacionamento.

Proprietários de um lava-jato na rua Frei Leopoldo, Vanderley Ramos, 45, e o filho Vanderley Júnior, 23, contam que, em todos os dias de jogos do Mundial em Belo Horizonte, o estabelecimento, que tem a capacidade para 22 carros, tem lotado. Cobrando hoje R$ 50 por veículo, o lucro chega a R$ 1.100 no dia. “Se coubessem 100 carros aqui é que seria bom. A gente transforma em estacionamento só mesmo para não perder o dia de trabalho”, diz Ramos.

Com os proprietários, uma equipe de oito funcionários se espalharam pelas ruas da região tentando atrair os motoristas. “Mas a concorrência está grande. Tem gente abrindo garagem de casa, lote vago e posto de gasolina”, conta o dono do lava-jato. Ele diz que recebeu muitos argentinos no último sábado, que ficavam tentando pechinchar o valor da vaga. Hoje, no entanto, mesmo cobrando R$ 50 dos brasileiros, conseguiu R$ 100 de turistas ingleses, que não queriam deixar na rua o carro alugado em São Paulo.

A poucos metros dali, na avenida Expedicionário José Assunção dos Anjos, seminaristas do Instituto Teológico Dom Orione, cobravam R$ 30, com direito a banheiros, para que os motoristas deixassem o carro no local, onde cabem até 40 veículos. “Acho caro, mas não temos opção”, diz o bancário Weber Ciotto, 45, que estacionou no seminário. “Aqui já cobraram até R$ 100, então R$ 30 está valendo”, disse o engenheiro Antônio Augusto Godinho, 62, que também deixou o carro por lá. “Cheguei aqui por acaso, seguindo o fluxo. Mas valeu a pena, porque o preço é melhor, tem banheiro e é mais seguro do que deixar na rua. Vou assistir o jogo tranquila”, disse a supervisora Polliana Araújo Fernandes, 27.

Para quem mora na região, a invasão de turistas e carros não tem incomodado. “Acho até bom o movimento”, disse Idercy Martins Lacerda, 75. “Estou tão alegre que meu time está ganhando, que não vejo problema no trânsito mais pesado”, afirmou o aposentado Guitanir Ferrari, 76. No bairro Jaraguá, próximo à região do Aeroporto da Pampulha, o morador Júnio Silva Barros, 30, também não se incomodou. “A rua tem ficado bem mais cheia, mas são dias de festa”.  

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