Vacilos derrubam Itália que prometia para Copa do Mundo

Azzurra falhou em jogos cruciais e pagou caro, sendo eliminada pela segunda vez seguida na fase de grupos do Mundial

iG Minas Gerais | GABRIEL PAZINI* |

Itália foi mais uma decepção desta Copa do Mundo
Reprodução/Facebook
Itália foi mais uma decepção desta Copa do Mundo

Tetracampeã mundial, com uma camisa pesada e um time gabaritado repleto de grandes jogadores. Isso não foi suficiente, e a Itália acabou ficando pelo caminho na Copa do Mundo. Assim como em 2010, sendo eliminados logo na fase de grupos. No entanto, desta vez, a Azzurra prometia para o Mundial e era tratada como favorita.

Buffon dispensa comentários. É um dos melhores goleiros do mundo e fez grandes defesas no torneio, sobretudo contra o próprio Uruguai, no jogo da eliminação, quando fez três intervenções incríveis. A defesa, por sua vez, não estava no auge como na Copa das Confederações, mas não dá para falar que a retaguarda é ruim. Já o meio-campo, é o setor mais talentoso com Pirlo, Verratti, Marchisio e outros bons nomes. O ataque, por sua vez, mesmo com as ausências de Rossi e Destro, tem muita qualidade com Balotelli, Immobile e Cassano.

No entanto, a Itália teve problemas. Se o medo de Balotelli estar em má fase foi afastado com o camisa 9 marcando o gol da vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, o time mostrou fragilidades nas laterais, ponto vulnerável já conhecido para a Copa. Abate é fraquíssimo, enquanto De Sciglio vive má fase. Apenas Darmian vive bom momento, mas ainda assim, foi discreto no Mundial.

E além dos problemas nas laterais, o time falhou nos jogos decisivos. Após a grande atuação na vitória sobre o English Team, a Azzurra fez um jogo terrível contra Costa Rica. Os europeus atuaram mal, com todos os setores rendendo muito abaixo do esperado. A equipe também sofreu com o calor e mereceu perder para os Ticos, que foram superiores durante toda a partida.

Já nesta terça-feira, contra o Uruguai, a primeira falha foi jogar com o regulamento debaixo do braço. A Itália entrou em campo pensando em se defender e chamou demais a Celeste, que obrigou Buffon a fazer grandes defesas ainda no primeiro tempo, mesmo com o jogo sendo muito truncado na maior parte da primeira etapa. Além disso, a Celeste usou e abusou dos ataques pelos lados do campo, explorando a principal fragilidade da Azzurra: as laterais. E o golpe de misericórdia foi a expulsão besta de Marchisio, que entrou duro em Arévalo Ríos na frente do árbitro. O Uruguai foi valente e teve mais coração que a Itália. A Celeste mereceu vencer.

Os erros nos jogos decisivos custaram muito caro para a Itália, que com o excelente time que possui, era uma das favoritas na Copa do Mundo.

Futuro

E não parou por aí. Foi um dia realmente difícil para a Azzurra. Além da eliminação, o técnico Cesare Prandelli entregou o cargo e o craque Andrea Pirlo se aposentou da seleção. No entanto, o futuro da esquadra não preocupa. Prandelli, apesar da eliminação, renovou o time, recuperou a auto-estima da seleção, que praticou um bom futebol nos últimos anos e fez boa campanha na Eurocopa e na Copa das Confederações. O treinador, inegavelmente, fez um excelente trabalho, e além disso, mudou o estilo de jogo da Azzurra, que passou a praticar um futebol mais ofensivo, de posse de bola e troca de passes.

É claro que a saída de Prandelli será sentida e não é fácil encontrar o substituto ideal. Os melhores treinadores italianos na atualidade estão bem seus clubes, com contratos renovados e não devem sair: Antonio Conte (tricampeão italiano com a Juventus) e Carlo Ancelotti (campeão da Champions League com o Real Madrid). Luciano Spaletti, que está sem clube, é uma opção, mas não transmite muita segurança. No entanto, apesar da dificuldade em relação ao novo treinador, a Azzurra tem um bom corpo de jogadores e uma nova geração talentosa com nomes como Verratti, Insigne e Immobile, além de atletas jovens, mas já experientes e protagonistas como Balotelli. Isso sem falar nos mais veteranos que vão permanecer no time e ainda tem lenha pra queimar. Mesmo com a eliminação e saída de Prandelli, a Itália tem jogadores o suficiente para se manter no topo e brigando por títulos.

*com supervisão de Leandro Cabido

Leia tudo sobre: Copa do Mundoitaliafutebolesporteanaliseo temposuperfcprandellidecepcaobalotellipirlo