Pilhados e com problemas defensivos, Bálcãs decepcionaram na Copa

Croatas entraram muito pilhados contra o México, enquanto os bósnios tiveram problemas defensivos contra a Nigéria

iG Minas Gerais | GABRIEL PAZINI* |

Boas expectativas cercavam a Croácia, mas seleção decepcionou na Copa do Mundo
Reprodução/Facebook
Boas expectativas cercavam a Croácia, mas seleção decepcionou na Copa do Mundo

Os times são bons, contam com jogadores talentosos e foram bem nos primeiros jogos no Brasil, no entanto, nas partidas derradeiras, eles decepcionaram. Por motivos distintos, Croácia e Bósnia, que representaram a região dos Bálcãs nesta Copa do Mundo, fizeram campanhas aquém do esperado no Mundial. Enquanto os comandados de Kovac foram muito "pilhados" para o duelo decisivo com o México, o time de Dzeko apresentou várias falhas defensivas contra a Nigéria, no confronto que eliminou a Bósnia da Copa.

Começo promissor, final ruim

No gol, o experiente Pletikosa e a boa opção de Subasic, bom arqueiro do Monaco. Na defesa, Srna, Lovren e outros bons jogadores. No meio-campo, vários atletas talentosos. É claro que as estrelas do setor são Modric e Rakitic, campeões da Champions League e Liga Europa com Real Madrid e Sevilla, respectivamente, e donos de muita visão de jogo, qualidade no passe, técnica e habilidade. O camisa 7, inclusive, foi contratado pelo Barcelona. No entanto, os jovens e talentosos Perisic, Kovacic e Vukojevic também se destacam. E no ataque, Mandzukic, é um dos melhores do mundo na posição, Olic é muito bom jogador e Jelavic é uma boa opção.

No entanto, mesmo com esse excelente time, a Croácia não conseguiu avançar à fase final da Copa do Mundo. O começo foi promissor, com a equipe fazendo um bom jogo contra o Brasil e sendo prejudicada pela arbitragem com um pênalti não existente marcado a favor do escrete canarinho. Não dá para falar que a Croácia venceria o jogo se o pênalti não fosse marcado, no entanto, é inegável que o lance mudou o panorama da partida e que os europeus eram melhores no jogo. De qualquer forma, o time foi derrotado, mas fez uma boa partida.

No segundo jogo, goleada fácil sobre Camarões, com bom futebol. A Croácia precisaria vencer o México na última rodada para se classificar e o time, técnica e taticamente, é superior ao de El Tri. No entanto, a equipe falhou e fez seu pior jogo na Copa e muito em função dessa superioridade. Os croatas sabiam que eram melhores que os mexicanos, e o excesso de confiança demonstrado pelo técnico Niko Kovac e por Modric - o professor disse que o México estava com os joelhos tremendo e o camisa 10 afirmou, com todas as letras, que a Croácia é mais time que o rival - nas coletivas antes do jogo e entrevistas após a partida, atrapalharam os europeus, que se esqueceram que El Tri, apesar de inferior em alguns aspectos, tem um time muito bom e que faz uma Copa do Mundo muito boa.

Além do excesso de confiança, a "pilha" atrapalhou os croatas. A seleção se esqueceu de jogar futebol contra o adversário. A Croácia entrou muito pilhada e priorizou as jogadas duras ao invés do toque de bola característico e a posse no meio-campo. A verdade é que El Tri foi muito melhor na partida, teve o domínio das ações, criou as melhores chances e não correu muitos riscos. A vitória foi totalmente merecida, assim como a classificação.

A Croácia tem um excelente time, que poderia ir longe na Copa e surpreender. O começo foi promissor e as expectativas eram boas, mas o excesso de confiança e o jogo ruim contra o México fizeram a equipe decepcionar na Copa.

Falhas defensivas custam caro

A Bósnia, por sua vez, não tem um time tão talentoso quanto o croata, mas também tem uma boa equipe. Begovic é um excelente goleiro. A defesa não é lá essas coisas, mas o sistema defensivo bósnio vinha funcionando bem até a Copa. E do meio-campo para a frente, o time é muito talentoso: Pjanic, Misimovic, Susic, Dzeko e Ibisevic são os destaques.

As expectativas eram boas para o Mundial, com muitos apostando em quartas de final para os bósnios. E a campanha começou boa. O time deu azar de sofrer um gol contra logo no começo do jogo contra a Argentina e ver Messi ser genial e decisivo no segundo tempo, mas a Bósnia fez uma boa partida contra a Albiceleste, sendo dominante na primeira etapa e criando muitas chances ao longo do duelo, com boas atuações de Pjanic e Misimovic.

No entanto, no jogo contra a Nigéria, tudo mudou. Sem Kolasinac na lateral-esquerda e com Lulic - que é meia-atacante - por ali, a Bósnia ficou muito vulnerável na marcação e deu espaços demais no setor. Não é à toa que Emenike deitou e rolou em cima de Spahic, que fazia a cobertura no mano a mano em todas as jogadas. Alguma hora a casa ia cair e as Super Águias iam marcar o gol, como fizeram com Odemwingie, e olha que a Nigéria poderia ter feito mais gols não fossem as várias boas defesas de Begovic.

Além dos problemas defensivos, a Bósnia teve uma partida ruim do ponto de vista ofensivo. Misimovic estava irreconhecível, Dzeko quase não foi acionado e o time não conseguiu criar chances reais de gol durante quase toda a partida. O mais lúcido foi Pjanic, que trabalhou bem a bola e mostrou sua qualidade técnica, mas cometeu dois erros iguais praticamente em sequência. O meia da Roma, em duas oportunidades, driblou seus adversários e ficou de frente para o gol, em condição boa de finalizar, mas preferiu tocar a bola. Nas duas vezes, o colega perdeu a jogada e a Bósnia, uma boa chance de gol.

Com a partida ruim frente os nigerianos, a Bósnia acabou dando um adeus precoce ao Mundial e, assim como a Croácia, decepcionou na Copa do Mundo.

*com supervisão de Leandro Cabido

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