Novo teste dita terapia mais eficaz e evita a volta do câncer

Mineiro participa de pesquisa e contribui para a vinda da tecnologia ao Brasil

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Esperança. Walter Neto mora nos Estados Unidos há 20 anos e é o único brasileiro que participou das pesquisas do novo teste promissor
DENILTON DIAS / O TEMPO
Esperança. Walter Neto mora nos Estados Unidos há 20 anos e é o único brasileiro que participou das pesquisas do novo teste promissor

Basta uma dor de garganta para que muitas pessoas recorram à automedicação e usem de forma inadequada os antibióticos, prejudicando a saúde e deixando as bactérias mais resistentes. Cientistas da Universidade de Marshall, nos Estados Unidos, descobriram que essa mesma regra também vale para os tratamentos contra o câncer, ou seja, terapias que a princípio apresentam bons resultados podem, no futuro, fazer a doença reaparecer – e mais grave.

Membro do grupo que estuda o assunto há quatro anos, o médico belo-horizontino Walter de Paula Freitas Neto ajudou a desenvolver um novo teste chamado “Chemo ID”, capaz de determinar, em menos de um mês, a melhor opção de tratamento para um paciente com câncer. Ao longo dos últimos três anos a tecnologia foi testada em 120 pacientes com tumores no cérebro, mama e pulmão. (veja o infográfico abaixo)

“Vimos que essa é uma doença individualizada na qual dois tumores idênticos não têm a mesma sensitividade a um tipo de tratamento. Esse teste é uma ferramenta que os médicos poderão utilizar para selecionar a quimioterapia mais eficaz e assim também evitar a volta do câncer”, explica o pesquisador.

Após uma dor muito forte, a bacharel em direito Juliana Martins, descobriu, aos 20 anos, que estava com um tumor no ovário. Hoje, aos 24, está com a doença superada, mas acredita que o teste pode evitar mortes prematuras em sua família.

“No meu caso, a identificação foi rápida e o resultado da biópsia saiu em 20 dias. Mas tanto meu pai (câncer no cérebro), quanto a minha mãe (tumor no intestino), só descobriram a doença quando a situação já era grave. Por isso, um exame específico que consiga diagnosticar e definir o tratamento ideal seria ótimo”, afirma Juliana.

Brasil. O Brasil será o único país na América Latina a usar o Chemo ID, devido a participação de Neto nos estudos. “Este teste será lançado simultaneamente nos Estados Unidos e em vários países do mundo, inclusive no Brasil e na África do Sul, porque eu estou envolvido no projeto. Eu particularmente quis trazer este teste para beneficiar o público brasileiro”, diz.

Neto esteve no país durante os últimos dias e contou que nos próximos seis meses os pesquisadores vão escolher os hospitais e os planos de saúde parceiros. Ainda não se tem uma previsão de implantação no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Nos Estados Unidos já temos códigos de seguro que podem ser usados para o custeio. Isso torna o pagamento híbrido, e esperamos o mesmo para o Brasil. Isto é benéfico não só para as companhias de seguro pela economia, como também para o paciente, que terá um tratamento mais eficaz e sem falhas”, disse o médico.

“O câncer é uma doença individualizada e com sensitividades diferentes. Esse teste é uma ferramenta que os médicos poderão utilizar para selecionar a quimioterapia mais eficaz e assim também evitar a volta do câncer.”

Walter Freitas Neto - Médico e pesquisador

Preço no país

Particular. O Chemo ID não deve ser oferecido no Sistema Único de Saúde (SUS), e o paciente pagaria parte dos custos – entre US$ 4.000 (R$ 9.000) e US$ 5.000 (R$ 11 mil), segundo Walter Neto.

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