Flash Mob para inglês ver

Com apoio do Ministério da Cultura, intervenção urbana passa pelas 12 cidades-sede da Copa do Mundo do Brasil

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Flash mob. O Grande Dança Brasil, orçado em R$ 1 milhão, fará 48 apresentações-relâmpago nas 12 cidades-sedes
MARCELO CABRERA DIVULGAÇÃO
Flash mob. O Grande Dança Brasil, orçado em R$ 1 milhão, fará 48 apresentações-relâmpago nas 12 cidades-sedes

Com o intuito de criar uma dança que seja “a cara do país”, o projeto Grande Dança Brasil realiza desde o início da Copa do Mundo intervenções conhecidas como flash mob, quando uma grande quantidade de pessoas se reúne para dançar juntas em espaços públicos, das cidades-sede da Copa. Hoje, a intervenção acontecerá na praça da Savassi, às 11h. Será a primeira de um total de quatro que acontecem em Belo Horizonte.

Em um país com proporções continentais e diversidade de climas, costumes e diversas influências de colonização ,fica difícil pensar em uma dança que seja “a cara do Brasil”, não é mesmo? “Na verdade, não existe uma dança que seja a síntese de tudo que se dança no Brasil”, explica o curitibano Octávio Nassur, responsável pela criação da coreografia que será dançada em seis cidades. A coreografia das outras seis é assinada pelo famoso coreógrafo carioca Carlinhos de Jesus. “É um trabalho de colagem, de sobreposição de camadas, como se fosse um mix de um DJ. Nós fazemos a conexão entre as danças regionais características. Então, tem menção à Chula do Sul, o Baião, o Xaxado, o Samba. O Carlinhos tem essa coisa com a dança de salão muito forte. Eu já vou mais pela dança de rua”, revela Nassur.

O que as coreografias têm em comum é a música composta pelo maestro e produtor Luís Portela. A proposta da trilha é criar uma sonoridade sintética, mesclando ritmos de várias regiões do nosso país com pitadas de musica eletrônica.

Antes das intervenções marcadas, os dois coreógrafos se dividiram para percorrer as 12 cidades e realizar ensaios preparatórios. Nassur destaca que a característica fundamental do trabalho é estimular e compartilhar a dança com um público não-iniciado na linguagem; dança quem quiser. “No meu caso, os passos são bastante básicos e remetem à dança de rua, o hip hop, os movimentos de um Bboy. É uma dança feita para todo mundo, que explora a lateralidade. De maneira bastante democrática. A pessoa vê e pensa ‘eu faria isso’ e logo ela ganha confiança e já está dançando”, destaca o artista.

Críticas. Apesar de tudo parecer “flores”, o projeto andou recebendo críticas na sua tentativa de sintetizar as expressões culturais (dança) em um flash mob com passos básicos. “Acho que as pessoas não entenderam. Não estamos propondo uma única dança que fale pelo Brasil. É uma colagem. E, além disso, esse é um projeto que é possível ver o retorno do dinheiro: as pessoas presentes, dançando. Até agora a adesão tem sido muito boa”, destaca Nassur. O Ministério da Cultura empenhou R$ 1 milhão no projeto.

O coreógrafo ainda dispara contra as críticas revelando, segundo ele, uma desunião das pessoas da dança. “É assim: se três músicos se encontram, vira uma roda de samba, mas se três bailarinos se encontram, vira uma disputa para saber quem é o melhor”.

No entendimento de Alexandre de Sena, artista integrante do Paisagem Poéticas – coletivo que realiza intervenções pelas ruas de Belo Horizonte, desde 2010 –, esse é um tipo de projeto que não lhe interessa. Sena compara a convocatória do Grande Dança Brasil aos chamamentos para voluntários que trabalham na Copa. “Eu entendo e percebo que o país queira mostrar sua cara durante um evento desse tamanho. Mas você olha o site (do evento) e eles dizem que procuram mostrar a ‘essência do brasileiro’, imagina como seria complicado em uma intervenção, de poucos minutos, mostrar a essência de um país com toda essa diversidade”.

De Sena ainda revela um outro olhar nessa tentativa de – nas palavras dele – “pasteurização” da cultura nacional. “Me parece um outdoor: se pasteuriza a manifestação artística cultural para se transformar em algo bonitinho. A gente não precisa disso. E pensando que é algo feito com o dinheiro público, poderíamos ter um investimento em cada cidade, em cada rincão do Brasil, privilegiando os grupos que resguardam as diversas culturais”, avalia ele.

O coletivo Paisagens Poéticas se notabiliza por estabelecer trabalhos de longo prazo com populações de rua – alguns envolvendo discussões delicadas como sexualidade e gênero – desde o surgimento em 2010. “Nosso primeiro projeto tinha como objetivo construir paisagens pela cidade através do convívio com alguns grupos sociais e essas paisagens foram construídas com eles e por eles”, ressalta o artista.

Programação

Todas as flash mobs Grande Dança Brasil são gratuitas. Aqueles que quiserem participar só precisam comparecer aos locais de sua realização. De acordo com os coreógrafos, os movimentos são simples e podem ser repetidos por qualquer pessoa.

Confira os locais e horários:

Hoje, às 11h, na praça da Savassi (Diogo de Vasconcelos) – encontro das avenidas Cristovão Colombo e Getúlio Vargas, na Savassi

28/06, sábado, às 17h, na praça Sete (avenidas Amazonas com Afonso Pena, centro)

04/07, sexta, às 11h, novamente, na praça da Savassi

08/07, terça, às 11h, mais uma vez, na praça Sete

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