A festa do futebol passará, mas incertezas ficarão na economia

Com retração até abril, projeção de crescimento da indústria encolherá de 2,5% para menos de 1%

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |


Faturamento da indústria automobilística em Minas Gerais despencou de janeiro a abril deste ano
studio cerri / DIVULGACAO
Faturamento da indústria automobilística em Minas Gerais despencou de janeiro a abril deste ano

A inflação sobe, o poder de compra cai, as vendas no comércio minguam e desestimulam a produção da indústria. A velha e conhecida equação continua assombrando a economia e derrubando as projeções de crescimento. Pela quarta semana seguida, os analistas ouvidos pela pesquisa Focus, do Banco Central, revisaram para baixo a expectativa do Produto Interno Bruto (PIB). A estimativa caiu de 1,24%, na semana passada, para 1,16%, e as estimativas para o pós-Copa também não estão animadoras.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) começou o ano estimando que a indústria mineira registraria um crescimento de 2,5%. Agora, o economista-chefe Guilherme Veloso Leão diz que essas previsões serão revisadas para baixo. “Ainda não fechamos um número exato, mas não esperamos um crescimento maior do que 1% em 2014”, destaca.

A pesquisa Focus também indica recuo para o setor. Até duas semanas atrás, os analistas projetavam um incremento de 0,51% para a indústria. Nesta semana, já mudaram para uma retração de 0,14%. “O faturamento caiu, a produção caiu, e os estoques estão acima das expectativas dos empresários, o que indica que a produção não deve se aquecer nos próximos meses”, avalia Leão.

Segundo ele, será muito difícil a indústria se recuperar em 2014. “O primeiro trimestre não foi bom. O primeiro mês do segundo trimestre, também não. O último trimestre já é tradicionalmente fraco. Então só resta o terceiro trimestre, mas as eleições sempre exercem um efeito de adiar decisões de investimento e, neste momento, têm um impacto negativo”, analisa.

Leão ressalta que a Copa, na verdade, não trouxe impactos para o setor. “O consumo estrangeiro beneficia mesmo o comércio e os serviços. Para indústria, com exceção de alguns setores específicos como alimentos e bebidas, até atrapalha um pouco porque a produtividade cai em dia de jogos”, diz o economista.

Na área imobiliária, as expectativas para o pós-Copa são de aumento nos lançamentos. “Houve uma paralisação temporária nos lançamentos porque o público está pensando na Copa, mas o segundo semestre será mais aquecido, porém sem redução dos preços, pois os estoques estão baixos”, avalia o vice-presidente da área imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon-MG), Lucas Guerra Martins.

Análise

“O primeiro trimestre foi negativo. Em junho, mês de Copa, a produtividade industrial cai. O primeiro trimestre foi ruim. O último trimestre já é sempre mais fraco. Só resta o terceiro, mas dificilmente vai compensar os resultados ruins.”

Guilherme Veloso Leão - Economista

Faturamento

Em queda. De janeiro a abril de 2014, a indústria mineira registrou queda de 4,63% no faturamento. A indústria extrativa foi destaque positivo, e a automotiva despencou, segundo dados da Fiemg.

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