Freiras de Belo Horizonte torcem com fé pela seleção brasileira

E quando o Brasil fez gol, a alegria tomou conta da congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor, no bairro Nova Suíça, região Oeste da capital

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Esportes - Copa - Belo Horizonte - MG
Jogo do Brasil contra Camaroes com as freiras do Instituto Bom Pastor

FOTO: FERNANDA CARVALHO / O TEMPO - 23.06.2014
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Esportes - Copa - Belo Horizonte - MG Jogo do Brasil contra Camaroes com as freiras do Instituto Bom Pastor FOTO: FERNANDA CARVALHO / O TEMPO - 23.06.2014

O que o futebol e a religião têm em comum? Ambas precisam de fé. O torcedor tem fé, acredita que seu time vai ganhar, que é possível reverter o placar, mesmo que a situação não seja das melhores para o seu time. Na congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor, no bairro Nova Suíça, região Oeste de Belo Horizonte, que abriga 13 freiras, elas tiram um tempinho, entre orações e trabalhos sociais, para ver os jogos da Copa, em especial, os da seleção brasileira. Dez delas assistiram nesta segunda-feira (23) ao jogo do Brasil contra Camarões, no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

A irmã Célia Dornelas, que completa 82 anos em agosto, conta que sempre que possível, ela assiste aos jogos. Só que a mais fanática é a irmã Maria José Diniz Peixoto, 95, que é cruzeirense. “Eu também sou torcedora do Fluminense. É que eu morei muito tempo no Rio”, justifica a torcida para outro time. As colegas entregam que ela está sempre com o radinho nas mãos em dias de jogos. Ela ficou bem concentrada durante todo jogo, olhos fixos na TV. Na hora do jogo, a atenção é toda para a televisão. Elas cantaram o hino. E a irmã Maria Constança de Jesus, 81, pediu proteção quando durante o hino apareceu Neymar. “Deus, toma conta dele”, disse.

Com a mesa com a bandeira do Brasil, pipoca e balas, além de muita fé, elas apostam na vitória da seleção brasileira. Aliás, pela casa há várias bandeiras do Brasil, algumas na janela. A irmã Zulma do Amaral Goulart, 86, coordenadora da casa, apostou num placar de 2 X 0 para o Brasil. E a irmã Sabina Fornazier, 65, queria um placar ainda maior, 3 X 0. Já a irmã Maria Helena de Souza Faria, 83, disse que estava preocupada. “Estou com medo de o Brasil perder”, disse. Elas torcem pelo Brasil, mas a irmã Maria Luciene de Almeida, 38 anos, disse que a Holanda é um time perigoso para levar a taça.

E quando o Brasil fez gol, alegria, como de qualquer torcedor, a diferença é que com mais doçura. E quando o empate de Camarões chegou, desapontamento geral. “Só um gol para eles ficarem alegres. Não pode outro”, completou irmã Maria Helena. Irmã Zulma reclamou que os jogadores do Camarões estavam violentos. “Só aquela empurrada no Neymar, nossa”, disse. Ela se preocupou com as pancadas de Neymar . “Chega”, diz.

Durante o intervalo, pausa para o café. Alegria novamente na sala de TV, com o gol de Fred no segundo tempo. Irmã Sabina, torcedora do Grêmio e do Atlético Mineiro, mudou a sua aposta, vai ser 4 X 1. para o Brasil. Torcedora, ela tinha impressa a tabela da Copa. “Eu peguei da internet”, conta.

Novamente preocupada com Neymar, irmã Zulma, falava para tirar o jogador. “Se não, eles (jogadores de Camarões) vão acabar com ele”, ressaltou. Elas gostaram da saída de Neymar, durante o segundo tempo.

Mais alegria na sala enfeitada, com mais um gol do Brasil, feito pelo Fernandinho. Irmã Maria Luciene brinca que quer um placar de 5X1 para o Brasil. E completou: “Eu queria que o Oscar fizesse um gol. E o Brasil hoje jogou até que enfim”, diz. Irmã Sabina queria a entrada de Bernard. “Ele está lá sentadinho”, disse desapontada.

No fim, elas se sentiram aliviadas com o placar, apesar de ficarem com pena de Camarões. “Não foi o Brasil que mandou eles para casa”, ressaltou irmã Sabina. E ela completou que o bigode do Fred deu sorte.  

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