Torcida emana gingado de Mané Garrincha e dá show na arquibancada

Estádio mais caro da Copa foi colorido de verde e amarelo e apoio das arquibancadas se tornou fundamental para triunfo

iG Minas Gerais | Guilherme Guimarães e Felipe Ribeiro |

Torcida brasileira está confiante na conquista do hexa
Jefferson Bernardes/VIPCOMM
Torcida brasileira está confiante na conquista do hexa

“Gigante pela própria natureza, és belo, és forte, impávido colosso. E o teu futuro espelha essa grandeza”. Trecho do Hino Nacional brasileiro que serve perfeitamente para caracterizar o majestoso e imponente estádio Nacional, em Brasília, palco da vitória do Brasil por 4 a 1 sobre Camarões.

Enorme construção localizada na Asa Norte da capital federal, a arena deixou de ser só concreto e ganhou vida e transcendeu alma. A cada toque na bola, jogada perigosa, o torcedor gritava e exaltava o seu amor pelo futebol, pela  seleção pentacampeã do mundo.

Em campo, o craque Neymar entortava os adversários, praticamente encarnando o espírito do cambota Mané Garrincha, um dos mais fantásticos jogadores da história do futebol e que também dá nome ao estádio.

Enquanto o camisa 10 dava seu show em campo, fora dele quem comandava o espetáculo era a torcida. Mais de 69 mil vozes encantaram o mundo ao cantarem à capela, mais uma vez – como virou tradição – o Hino brasileiro. Emoção à flor da pele para qualquer pessoa que acompanhasse de perto o acontecido.

E o gogó dos brasileiros seguiu afinado, tanto nos cânticos comuns do “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”, tanto com o primeiro gol brazuca. Nem mesmo o gol de empate dos camaroneses desafinou a multidão, que viu a bola balançar as redes do goleiro Charles Itandje mais três vezes, fora os lances plásticos do “Mané Neymar”.

Sensações quase indescritíveis marcaram a goleada brasileira, que aguçou todos os sentidos dos torcedores. Gosto da vitória, cheiro de gol, arrepio da pele pela emoção de ver o Brasil jogar uma Copa em casa e uma visão privilegiada não só da partida, mas do belo colorido que tomava conta do estádio.

O vermelho das cadeiras sucumbiu ao verde e amarelo brasileiro das camisetas da torcida, fora outras tonalidades, fosse de bandeiras ou fantasias dos próprios torcedores. Até a Bruna Marquezine, namorada do Neymar, deu o ar da graça. Em forma de cartaz na mão de um torcedor,  diga-se de passagem.

“Neymar está pegando bem. Essa Bruna Marquezine é uma baita de uma gostosa”, gritou de longe um torcedor que acenou, mas logo correu da reportagem.

“É um momento gostoso, você se sente feliz e acolhido por todo o povo brasileiro. O estádio Nacional, muito criticado pelo alto custo, ficará como um legado para Brasília e para o Brasil. Ficou espetacular. Festa em nosso país é diferente, impossível não curtir. Misturando esse clima de Copa, então, fantástico”, disse o adolescente Guilherme Lebeis, 14.

Se dentro do Mané Garrincha o clima de euforia tomava conta, fora da arena não era diferente. Caras pintadas surgiam de todos os cantos, lembrando um movimento conhecido no início dos anos 1990, quando o Brasil se uniu por outro motivo: o político.

“Apesar da situação política do Brasil, das manifestações, o brasileiro entrou no ritmo do Mundial. Não sabemos se teremos uma competição desse nível no país outra vez. O futebol é religião do povo brasileiro e, acima de tudo, mesmo com os problemas, une todos em um único ideal”, comentou o jovem Carlos Augusto, 16.

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