Protesto no Rio de Janeiro é encerrado na hora do jogo da seleção

Ato que começou com cerca de 100 pessoas tomou corpo ao longo da orla de Copacabana, com outras 300 se unindo à passeata, segundo a PM

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Uma manifestação organizada por movimentos populares e associações de moradores de comunidades carentes, que começou às 11h desta segunda-feira (23) no morro Chapéu-Mangueira, no Leme, zona sul, se encerrou às 17h no pé do morro do Pavão-Pavãozinho, quando a seleção brasileira entrava em campo contra Camarões.

O ato que começou com cerca de 100 pessoas tomou corpo ao longo da orla de Copacabana, com outras 300 se unindo à passeata, segundo a PM. Eles fizeram paradas em alguns locais, ao longo do trecho, como no Posto 3.

Durante o percurso, gritavam palavras de ordem como "A verdade é dura, UPP também é ditadura", Não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da Polícia Militar", "Da Babilônia, até o Pavão, contra o extermínio e contra a remoção."

Presidente da associação do Chapéu-Mangueira, Arlete Loduvice, 50, informou que o ato reuniu pessoas de diversas comunidades, principalmente pais, mães e avós que perderam filhos, netos e amigos devido à "truculência da polícia."

Moradores de Acari, Manguinhos, Pavuna e outras comunidades deram seus depoimentos, enfatizando em suas falas o que chamaram de opressão do Estado.

Em seu depoimento, a moradora de Manguinhos, Ana Paula Gomes, 37, disse que seu filho foi morto com um tiro pelas costas em área pacificada. "Foram os policiais da UPP [Unidade de Polícia Pacificadora] de lá que o assassinaram quando ele ia para casa da avó", disse, lembrando que o caso ocorreu em 14 de maio deste ano.

Ela disse que há uma semana outro morador foi morto com um tiro no olho enquanto apitava uma partida de futebol, dentro da mesma comunidade. "Foi outra abordagem truculenta que resultou em reclamação por parte dos moradores, que começaram a jogar pedras e receberam balas em troco", disse, sobre os disparos de fuzil que atingiram o rapaz no campo de futebol.

Na ocasião, a coordenação da UPP afirmou que o protesto aconteceu após a apreensão de um menor envolvido com o tráfico e que, além das pedras, tiros teriam sido disparados em direção aos policiais, que reagiram.

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