Jogar contra a Itália é um presente dos deuses, diz técnico do Uruguai

Duelo com os italianos definirá futuro das duas seleções na Copa do Mundo. Ambas brigam por uma vaga nas oitavas de final da competição

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Associated Press
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Óscar Tabárez não dá respostas simples. Por essa maneira de tratar os assuntos com mais profundidade, muitas vezes em um tom professoral, o treinador é chamado de "maestro" (professor, em espanhol) pelos uruguaios.

Na entrevista que concedeu nesta segunda-feira (23), véspera do jogo contra a Itália, na Arena das Dunas, Tabárez voltou a fazer diversas citações de escritores a jornalistas e, polidamente, respondeu em italiano a uma das questões de uma repórter do país que será adversário na Copa.

"Faz tempo que não falo italiano, mas vou tentar", começou a responder, em pergunta sobre o "medo" que o Uruguai deve ter com o atacante Balotelli. Bom lembrar que Tabárez foi treinador do Cagliari e do Milan nos anos 1990.

"Medo no futebol não existe. Na vida, sim. No futebol há preocupação. Balotelli é um grande jogador, jovem, um especialista jogando nos últimos metros do gramado. Esse jogo não deve seguir o campo do medo, mas da admiração. Jogar contra a Itália é um presente dos deuses, ganhar esta partida não é como ganhar qualquer partida, é ganhar de um dos grandes do futebol", disse o "maestro".

O Uruguai precisa da vitória para avançar às oitavas de final da Copa. Em caso de empate ou derrota, a Itália se classifica. No grupo, a Costa Rica já está garantida na próxima fase após vencer os dois rivais que duelam nesta terça, em Natal.

"A Itália tem chance maior porque o empate os classifica. Não somos nem gostamos de ser favoritos. Agora é passar para outra fase ou ir para casa. Sabemos o que significa o jogo para nós.

Temos experiência em trabalhar dessa maneira porque há muito tempo temos contato com esse grupo. Temos experiência nesse tipo de situação adversa", afirmou Tabárez, que não quis dizer se continua no comando da seleção depois do Mundial.

Antes da entrevista com os uruguaios, o técnico Cesare Prandelli disse que algo que os uruguaios tinham mais do que os italianos era o patriotismo quando jogam pela seleção. Para o treinador uruguaio, esse é sim um sentimento que move a equipe dentro de campo.

"Estes meninos tem um sentimento com a seleção que faz tempo que estão apresentando e acredito que isso se deve também a toda gente do Uruguai, a história do Uruguai, todos são torcedores lá. Mas eu não me animaria a dizer que os italianos não tem esse sentimento. Uma equipe que ganhou a Copa quatro vezes tem diversos fatores a seu favor. Mas nenhuma equipe campeã descarta esse sentimento por seu povo, essa união. Nós temos e nos apoiamos bastante nesses aspectos", explicou.

Diversas vezes, quando falava desse sentimento que se transforma em raça dentro de campo, Tabárez usou a expressão "vamos deixar tudo dentro de campo", referindo-se ao empenho dos atletas.

"Sabemos o que somos e de onde viemos. Às vezes ficamos orgulhosos de sermos humildes, mas é que devemos recordar as raízes, as pessoas, lembrar desse lado", concluiu o "maestro".

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