Estudantes deixam a reitoria da UFMG após denunciar agressões

Manifestantes dizem que não se sentem seguros no local após o ocorrido no último sábado, quando seguranças da UFMG teriam agredido alunos que tentavam protestar; universidade nega que houve violência

iG Minas Gerais | Bruna Carmona |

Estudantes que estavam acampados deixaram o prédio na tarde desta segunda-feira
Frederico Lopes/Web Repórter
Estudantes que estavam acampados deixaram o prédio na tarde desta segunda-feira

Os quatro estudantes que permaneciam na ocupação da reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) deixaram o prédio na tarde desta segunda-feira (23). De acordo com uma das integrantes da ocupação, Larissa Dulce Antunes, de 24 anos, o grupo tomou a decisão porque não se sente seguro no local após o ocorrido no último sábado (21), quando ela e outros dois estudantes teriam sido agredidos por seguranças da instituição no momento em que tentavam se aproximar do Mineirão para protestar. O incidente terminou no saguão do prédio da reitoria, onde vidraças, câmeras internas e parte do mobiliário foram quebrados e paredes foram pichadas.

“Os vidros quebrados foram só reflexo da covardia que eles fizeram com a gente”, afirmou Larissa. Segundo a estudante, ela e os colegas procuraram o Ministério Público ainda no sábado para denunciar as agressões. De acordo com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Willian Santos, que acompanha o caso, os estudantes passaram por exames de corpo de delito e um inquérito foi aberto para apurar a denúncia.

Em nota divulgada no site da instituição, a UFMG informou que a reitoria determinou a rigorosa apuração do episódio e que “a alegação de que teria havido abuso por parte da segurança é firmemente negada pela Pró-Reitoria de Administração”.

A ocupação

No dia 6 de junho, estudantes ocuparam a reitoria da UFMG como forma de protesto contra a utilização do campus durante a Copa do Mundo. Sete dias após o início da ocupação, a maior parte dos manifestantes que estavam acampados no local fizeram uma assembleia e decidiram deixar o prédio, mas quatro deles decidiram ficar.

De acordo com a nota divulgada pela UFMG, os alunos que permaneceram no prédio apresentaram uma nova pauta à reitoria, que teve os itens apreciados e respondidos. “Diante do fato de que algumas das reivindicações desse grupo ferem os marcos legais e outras estão contempladas nas propostas desta gestão, foi solicitado que os manifestantes procedessem à imediata desocupação do saguão”, diz o comunicado.

Segundo Larissa Antunes, a resposta da universidade não foi considerada satisfatória pelos estudantes. Entre os pontos contemplados na nova pauta apresentada pelos manifestantes estão a abertura das bibliotecas da UFMG ao público externo, aumento no valor das bolsas de extensão e pesquisa oferecidas pela universidade e a permanência de estudantes grávidas nas moradias estudantis.

Apesar da desocupação, Larrisa afirma que o movimento permanece. “Vamos voltar com a ocupação quando as aulas voltarem”, afirmou a estudante.

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