Novos caras pintadas saem às ruas e apoiam Brasil na Copa do Mundo

Brasileiros colorem os arredores do Mané Garrincha de verde e amarelo e exaltam seleção no Mundial 2014

iG Minas Gerais | GUILHERME GUIMARÃES E FELIPE RIBEIRO |

Com adereços e tintura verde e amarela no rosto, torcedor brasileiro exalta seleção nacional em dia de jogo em Brasília
GUILHERME GUIMARÃES/WEBREPÓRTER
Com adereços e tintura verde e amarela no rosto, torcedor brasileiro exalta seleção nacional em dia de jogo em Brasília

BRASÍLIA. Os mais velhos se recordam bem do movimento “Caras Pintadas”, que teve início na década de 1990, e pregava o ideal de mudanças políticas no Brasil. Naquela época, o cunho político caminhava sozinho e, mesmo assim, a força popular conseguiu tirar um presidente do poder.

Quase 22 anos depois, uma nova geração de caras pintadas volta a ganhar notoriedade no cenário brasileiro. O lado político mais uma vez mostra força, mas, diferentemente de 1992, agora vem acompanhado de uma imensa força motriz nacional: o futebol.

No dia em que o Brasil fez o seu primeiro jogo de Copa do Mundo na capital Brasília, a população, sem esquecer dos problemas do país, abraçou o time de Luiz Felipe Scolari, que sonha com o hexacampeonato.

"Esse clima de Copa é muito interessante. Apesar da situação política do Brasil, das manifestações, o brasileiro entrou no ritmo do Mundial. Está super gostoso viver isso e estou muito feliz por poder participar desse evento. Não é sempre que teremos uma competição desse nível no país. O futebol é religião do povo brasileiro e, acima de tudo, mesmo com os problemas, une todos em um único ideal”, disse o estudante Caio Augusto Lebeis, de 16 anos.

Com o título de eleitor em mãos, Caio Augusto votará pela primeira vez. O jovem não era nascido quando os “Caras Pintadas” protestaram por melhorias no Brasil em 1992. No entanto, sabe de suas responsabilidades no próximo pleito eleitoral, mesmo com a euforia da Copa.

“Vou votar e protestar nas urnas. Tirei o título de eleitor para isso e espero dar a minha contribuição ao país. Sonho, claro, com um Brasil melhor. Assim como todos querem um lugar mais justo para se viver. No entanto, eu quero é fazer festa no estádio. Não acho que o futebol esconde os problemas. Mas, também não acho que ele é o problema da nação. No estádio vou me divertir”, concluiu.

Acompanhado do pai, orgulhoso pelo discurso firme de uma pessoa tão jovem, Caio também tinha ao seu lado o irmão Guilherme Lebeis, 14. Enrolado em uma bandeira do Brasil, o garoto mostrava fisionomia parecida a de um craque brasileiro.

“É um elogio falar que eu pareço o Oscar, grande jogador. Baita elogio. Muita gente fantasiada, se divertindo e pintando o rosto nesta Copa. Então, a minha fantasia é mais real”, brincou, também falando da alegria pelo Mundial ser realizado em seu país.

“É um momento gostoso, você se sente feliz e acolhido por todo o povo brasileiro. O estádio Nacional, muito criticado pelo alto custo, ficará como um legado para Brasília e para o Brasil. Ficou espetacular. Festa no Brasil é diferente, impossível não curtir. Misturando esse clima de Copa, então, fantástico. Que o Brasil pinte o rosto novamente, seja no esporte ou na política, para mudarmos nossa situação para melhor”, disse.

Além da dupla afiada de irmãos, o que se viu nos arredores do Mané Garricha foi uma explosão de alegria e personagens caricatos muito engraçados.