Ao lado de Dilma, governador do Amapá provoca Sarney

"Existem aqueles que se aliaram aos ditadores. O Brasil não pode esquecer, porque se não, voltaremos a viver aqueles anos tristes", disse Camilo Capiberibe

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

 Em evento ao lado da presidente Dilma Rousseff (PT) nesta segunda-feira (23), em Macapá, o governador do Amapá, Camilo Capiberibe (PSB), lançou uma provocação ao senador e ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP), aliado do governo federal.

Em seu discurso, Capiberibe fez referência a pessoas que "se aliaram" à ditadura militar (1964-1985) e disse que o país não deve voltar a viver "aqueles anos tristes".

Sarney, que estava presente na cerimônia, ingressou em 1965 na Arena, partido que deu sustentação ao regime militar. Pela legenda, foi governador do Maranhão (1966-1970) e senador (1971-1979).

"Existem aqueles que se aliaram aos ditadores. O Brasil não pode esquecer, porque se não, voltaremos a viver aqueles anos tristes", disse o governador.

Na eleição deste ano, quando tentará se reeleger, Capiberibe enfrentará nas urnas um aliado de Sarney, o ex-governador Waldez Góes (PDT).

Sarney também presidiu da Arena em 1979, antes de se filiar ao PDS, pelo qual foi eleito vice-presidente da República em 1985. No mesmo ano, ele assumiu a Presidência, após a morte do presidente eleito Tancredo Neves.

Em seu discurso, o governador do Amapá também anunciou uma homenagem que será feita no Residencial Macapaba, construído pelo programa Minha Casa Minha Vida e que teve as primeiras unidades entregues nesta segunda (23).

As ruas do conjunto habitacional terão nomes de militantes que lutaram contra a ditadura ou se tornaram vítimas, como o guerrilheiro Carlos Marighella (1911-69) e o deputado Rubens Paiva (1929-71), ambos mortos no regime militar.

ELEIÇÕES

O PT do Amapá integra o governo de Camilo Capiberibe (PSB) e pretendia apoiar a reeleição do pessebista, indicando a vice-governadora Dora Nascimento (PT) como candidata ao Senado.

Apesar de o PT local defender a manutenção da aliança com o PSB, a direção nacional, a pedido do ex-presidente Lula, quer que o partido apoie um aliado de Sarney, o ex-governador Waldez Góes.

O pedetista foi governador do Amapá de 2003 a 2010, ano em que foi preso no curso da operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, que investigou suspeita de desvio de verbas federais no Amapá. Naquele ano, Waldez disputou uma vaga no Senado, mas foi derrotado.

O diretório do PT-AP afirma que a decisão sobre a eleição deste ano será oficializada na quinta-feira (26).

ESTREIA DE DILMA NO AP

A presidente Dilma Rousseff participou nesta segunda (23) de cerimônia para entrega de 2.148 residências do programa Minha Casa, Minha Vida, em Macapá.

Pela primeira vez no Amapá como presidente da República, Dilma criticou os antecessores do governo petista e disse que eles não deram atenção aos Estados das regiões Norte e Nordeste. "No passado, tanto a região Norte como a região Nordeste não tiveram muita importância, com raras exceções. E aí nos últimos 12 anos, aqui no Amapá nós fizemos um conjunto de ações de infraestrutura muito importantes", disse.

Em seguida, a presidente enumerou uma série de projetos com recursos do governo federal em parceria com o Estado e com a Prefeitura de Macapá. Entre eles, obras de saneamento básico, construção de corredores exclusivos de ônibus e criação de creches e de escolas em tempo integral.

Antes da cerimônia, cerca de 30 manifestantes realizaram o ato "Dilma para quem?", protesto contra a realização do Mundial no país. Seus organizadores se apresentaram contra "as injustiças da Copa de Dilma e da Fifa".

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