Camaronês Milla reclama de dirigentes e pergunta por Kaká

Jogador mais velho a participar da Copa e marcar um gol, ex-atleta de Camarões mostra decepção com seleção africana

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Milla acredita que fatores externos atrapalharam rendimento da seleção em campo
Fifa/Divulgação
Milla acredita que fatores externos atrapalharam rendimento da seleção em campo

Poucos jogadores na história das Copas foram capazes de realizar a mistura de talento e carisma. Roger Milla, sem dúvidas, foi um deles. Os belos gols marcados nas Copas de 1990 e 1994, seguidos pela dança makossa junto à bandeirinha de escanteio, foram alguns dos momentos mais memoráveis da história do torneio.

Eleito em 2007 o melhor jogador africano dos últimos 50 anos em pesquisa organizada pela Confederação Africana de Futebol, ele se mostra incomodado ao falar do desempenho da seleção do Camarões na Copa.

Em entrevista à reportagem, ele, que tinha grandes expectativas em relação à seleção de seu país, coloca a culpa principalmente nos dirigentes da federação camaronesa ao comentar a eliminação precoce.

"O que falta para que possamos disputar o topo com países campeões, como Brasil, Alemanha e Itália, é disciplina administrativa. Temos que dispensar as pessoas que não acreditam no futebol, que estão lá para lucrar, que falam muito de dinheiro", diz o ex-atacante, hoje com 62 anos.

Para ele, o técnico Volker Finke também tem sua parcela de culpa. "A federação já tem que começar a procurar um novo nome. Ele não tem experiência para treinar uma seleção como Camarões, nem devia estar lá. Foi o que vimos nesta Copa", diz.

Quanto aos jogadores, Milla abranda o tom. "Não há culpa individualizada, o grupo todo foi mal". Para ele, as divergências em relação ao "bicho" entre jogadores e a federação camaronesa afetou o desempenho da equipe.

"Começaram com o pé esquerdo, pois ficou um clima ruim depois da tensão com a federação. Achei que eles superariam tudo isso ao entrar em campo, mas não foi o caso. E eles tinham razão, se não brigassem sairiam de mãos abanando", afirma.

BRASIL

Em relação à convocação de Felipão, ele diz não conhecer todos os jogadores, pois muitos são jovens. Ele destaca Júlio César ("mais veterano, então conheço melhor"), Thiago Silva, "zagueiro do qual gosto muito", Neymar, "adoro seu jeito de jogar", e Hulk. E faz uma ressalva.

"Não entendo porque o Kaká não está na Copa, é um grande jogador, que aprecio", diz sobre o meia que tem sido especulado no São Paulo.

RECORDES

Desde 1994, Milla é detentor de dois recordes das Copas. Aos 42 anos, ele foi o jogador mais velho a participar de uma partida do Mundial e a marcar um gol no torneio.

Nesta Copa, o goleiro reserva da Colômbia Mondragón, que completou 43 anos neste sábado (21), deve quebrar uma de suas marcas. E isso pode ocorrer nesta terça-feira (24), em jogo entre Colômbia e Japão, já que a seleção sul-americana já está classificada. Milla é enfático em sua reação.

"Isso não me importa absolutamente nada. Não me apego a marcas, números. Mas ressalto que a situação de Mondragón é outra. Ele é goleiro, eu era um jogador de linha de 42 anos, correndo. Não sei se algum jogador conseguiria meu feito hoje em dia, acho que não", afirma.

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