Um ano de mudanças Mais que um confronto, um jogo de coincidências

iG Minas Gerais | Felipe Ribeiro /Guilherme Guimarães |

Hoje, contra Camarões, Neymar é uma das principais esperanças do Brasil
douglas magno
Hoje, contra Camarões, Neymar é uma das principais esperanças do Brasil

BRASÍLIA. Duas décadas atrás, Brasil e Camarões se enfrentavam em uma Copa do Mundo, também na fase de grupos. Naquela oportunidade, que exatamente nesta terça completará 20 anos, a seleção brasileira venceu por 3 a 0, alcançou duas vitórias seguidas e se garantiu nas oitavas de final na competição sediada nos Estados Unidos.

Cinco Mundiais depois, as equipes voltam a medir forças, mas muita coisa mudou, principalmente para os brasileiros. Duas Copas a mais já foram colocadas na galeria da CBF, inclusive a de 1994. Mas houve também uma alteração de perfil do grupo de jogadores. Se em 1994 o time canarinho acompanhava o fim consagrado de uma geração, agora o país vive uma nova fase. No tetra, a base da equipe titular teve sua última participação em Mundiais, exceto Taffarel, Dunga e Bebeto, que ainda jogaram em 1998. Agora, na busca pelo hexa, o elenco está renovado, com Neymar e companhia ainda tendo muito futuro pela frente. O garoto da camisa 10, aliás, é a maior aposta e referência do elenco comandado por Luiz Felipe Scolari. Já há 20 anos, o nome da Copa foi Romário, o baixinho da camisa 11 que, para muitos, carregou o Brasil de Carlos Alberto Parreira nas costas no tetra. Os dois têm algumas coisas em comum. Romário é rotulado de gênio, enquanto Neymar ainda é tido como craque, mas com potencial para atingir um status maior. Além disso, os dois são famosos pela marra e pelo estilo, embora o atual jogador seja bem mais extravagante. Isso sem contar que ambos chegaram ao Mundial como jogadores do Barcelona. Para Neymar ter o mesmo protagonismo de Romário num possível hexa, os cinco próximos degraus terão que ser escalados rumo ao título. Por enquanto, o objetivo é mais imediato e precisa do terceiro passo. Repetir 1994 com mais uma vitória sobre os camaroneses é fundamental e, quem sabe, o camisa 10 deixe sua marca como fez o dono da 11 há 20 anos.

Um ano de mudanças BRASÍLIA. Sem dúvida alguma, 1994 foi um ano de mudanças para o Brasil. No futebol, o país passou a reinar absoluto como único país a faturar quatro Copas. A inesquecível vitória sobre a Itália com Baggio perdendo o último pênalti ainda vive na memória dos brasileiros. Foi também há duas décadas que o país começou a dar um salto na economia com a implantação do Plano Real, moeda que chegou a se equiparar ao dólar, mas que vem perdendo valor. Já na luta contra a discriminação racial, impossível não relembrar a eleição de Nelson Mandela como primeiro presidente negro da África do Sul. Enfim, há muito que se comemorar em 2014, restando à seleção brasileira coroar o primeiro título mundial conquistado dentro de casa e apagar o trauma de 1950.

Tristeza e saudade em 1994 e em 2014 BRASÍLIA. Contrastando com a alegria da vitória do Brasil sobre Camarões na Copa do Mundo de 1994, outros fatos relevantes, mas que deixam o clima de tristeza e saudade no ar, também completam 20 anos em 2014. Foi no ano do tetra que o país perdeu dois de seus maiores ídolos: um do esporte, outro da música. Em maio de 1994, um acidente em Ímola vitimou Ayrton Senna, tricampeão mundial de Fórmula 1. Já em dezembro, foi a vez de o Brasil se despedir do gênio Tom Jobim. Coincidência ou não, 2014 também já tem perdas importantes para os brasileiros em diferentes seguimentos. No meio artístico, todos se surpreenderam com a morte repentina do consagrado ator, diretor e crítico de cinema José Wilker. O esporte perdeu Luciano do Valle, locutor e empreendedor que ajudou a divulgar várias modalidades. Que de agora em diante, as alegrias possam marcar mais que as tristezas o ano de 2014.

Túnel do tempo Artistas. Além de Ayrton Senna e Tom Jobim, em 1994, o Brasil perdeu nomes como o humorista Mussum, que alegrou gerações e mais gerações de brasileiros nos domingos à noite, ao lado de Didi, Dedé e Zacarias. Economia. Em 1º de julho de 1994, o Plano Real entra em ação e dá a sonhada estabilidade à economia do país após uma série de planos mirabolantes lançados pelo governo no fim dos anos 80 e início dos anos 90. Política internacional. Após mais de 30 anos preso, Nelson Mandela se elege presidente da África do Sul em 1994, o primeiro mandatário negro na história do país.

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