Família de garoto que aguarda coração faz campanha virtual

Rede social é usada para ressaltar importância de doar órgãos

iG Minas Gerais | Lygia calil |

BH. Arthur Senna está internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital das Clínicas desde 13 de junho
Crédito: Jener Senna / Acervo P
BH. Arthur Senna está internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital das Clínicas desde 13 de junho

Como qualquer garoto de 16 anos, Arthur Senna adora a vida ao ar livre. Desde o último dia 13, porém, ele trocou a rotina de morador do bairro Funcionários, na região Centro-Sul da capital, por um leito no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital das Clínicas de Belo Horizonte. À espera de um coração para transplante, ele está internado na unidade coronariana, onde é monitorado constantemente e luta para se manter vivo. Na busca pela conscientização sobre a importância da doação de órgãos, Arthur e a família fazem uma campanha em redes sociais.

Na lista de espera nacional, devido à gravidade do caso, Arthur é considerado prioridade. Aos 8 anos, ele recebeu o diagnóstico de miocardiopatia dilatada, a mesma doença que Cadu – personagem de Reynaldo Gianecchini – enfrenta na novela “Em Família”, da Rede Globo. Como na história global, Arthur aguarda um doador compatível para que sua vida, enfim, se transforme.

Nessa espera, o garoto conta com o apoio e a companhia do pai. Economista, Jener Barbosa de Senna Jeronymo, 49, deixou a rotina profissional para ficar com o filho e não saiu mais do hospital desde que Arthur foi internado. Ele dorme e come ao lado do filho. Para tomar banho, conta com a ajuda dos enfermeiros, que cederam um banheiro para ele usar. Trabalho? Nem lembra. Copa do Mundo? Menos ainda. “Coisas assim perdem o sentido diante do que estamos vivendo”, explica.

A mãe do garoto morreu com o mesmo problema, quando Arthur tinha 6 anos. “A lição de fé e de esperança que tenho aprendido com meu filho é o que me dá forças para continuar acreditando. Ele fala coisas que não parecem ser ditas por um menino dessa idade. Ele descobriu uma religiosidade muito bonita”, diz o pai.

Resistência. Madrasta, Ana Carolina Oliveira, 40, faz um apelo à consciência de famílias que perdem alguém por morte encefálica. “Fazemos a campanha para todos que passam pela mesma angústia nossa. Muitos dizem que a mentalidade das pessoas tem mudado, mas 47% das famílias em condição de doar órgãos ainda optam por não fazer. É muito”, diz.

A rotina de medicamentos, exames e monitoramento às vezes é interrompida por um livro ou quando o pai consegue uma brecha da segurança e deixa o filho usar o celular – o passatempo preferido de Arthur é o Facebook. Apaixonado por tecnologia, por praias e pelo Cruzeiro, ele sonha, do leito, com o futuro: ser piloto de avião.

Espera

200 pessoas estavam na fila para um transplante de coração no país no início de junho

Flash

A estudante Renata Lara de Oliveira, 13, também mobilizou as redes em busca de um coração. Ela gravou um vídeo em que dizia: “quero muito viver; me ajuda”. A adolescente estava internada na mesma unidade de Arthur Senna e morreu no último dia 4, sem conseguir o transplante

Dados

Fila. Entre 2010 e 2013, as doações de órgãos no país subiram de 1.896 para 2.562 – alta de 35,1% – e a fila da lista nacional de espera diminuiu 56,8%. No entanto, muitos pacientes ainda sofrem com a demora, segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes. Órgãos. O rim é o órgão mais transplantado e com maior fila de pacientes na espera.

Facebook.  perfil do pai de Arthur Senna é facebook.com/jenersenna.

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