Consórcio de caminhão ‘vira’ de imóvel, e dinheiro some

Advogados alertam que, quando a empresa promete entregar o bem rapidamente, algo está errado

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Vítima. Alessandro Reis confiou no vendedor e já teve que ir a São Paulo, mas ficou sem caminhão
JOAO GODINHO / O TEMPO
Vítima. Alessandro Reis confiou no vendedor e já teve que ir a São Paulo, mas ficou sem caminhão

O caminhoneiro autônomo Alessandro Pereira dos Reis queria aumentar sua renda e, para isso, planejou adquirir outro caminhão. Só que acabou fazendo consórcio de um imóvel. “O vendedor falou que não haveria nenhum problema, que eu poderia usar o saldo de caixa do consórcio para adquirir o caminhão”, conta.  

A prática, segundo a gerente do departamento jurídico da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio (Abac), Elaine da Silva Gomes, não é aceita. “Há regras. O consumidor deve verificar qual é o bem de referência a que ele tem direito no contrato. Os grupos são divididos por segmentos, que podem ser de bens ou serviços. Se ele adquiriu uma cota de imóvel, ele não pode trocar por um veículo. Agora, se ele entrou com a ideia de adquirir um caminhão, pode trocar por carros e motos”, explica.

Ela aconselha que o consumidor nunca confie em promessas verbais, e guarde panfletos e propagandas das empresas. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) informa que é preciso verificar se existem reclamações contra a administradora no Banco Central ou nos Procons.

A entidade ressaltou, em nota, que é importante que o consumidor se informe sobre a quantidade de participantes que já aderiram, e, se o grupo já foi constituído, sobre a saúde financeira do grupo.

Promessa. Alessandro Reis disse que o vendedor da empresa, cuja razão social é Marconsor Representações Comerciais, no bairro do Tatuapé, em São Paulo, prometeu que o crédito seria liberado em 30 dias e pediu para que fosse depositado em sua conta pessoal R$ 2.200, que é uma espécie de seguro. “Só que o caminhão não saiu. Além do mais, o valor que eles me falaram das prestações seria de R$ 1.900, e recebi boletos de R$ 4.000, R$ 6.000”, diz.

A advogada da Abac ressalta que o consorciado só é contemplado através de sorteio ou lance. “O consumidor pode comprar uma carta contemplada, só que, para isso, a administradora tem que aceitar”, observa.

Polícia. O consumidor conta que tentou solucionar o problema e voltou a São Paulo, no último dia 16, mas não teve resultado. “Cheguei a fazer boletim de ocorrência. E já liguei para administradora informando que não queria mais o consórcio”, diz.

Empresa diz que cumpre a lei A Marconsor, no Tatuapé, em São Paulo, que vendeu a cota de consórcio para Alessandro Pereira dos Reis, foi procurada insistentemente pela reportagem, mas, até o fechamento desta edição, não retornou aos contatos. Um atendente informou que a empresa cumpre a lei que trata do Sistema de Consórcio. “Temos uma ficha de check-up, com várias perguntas para que o cliente fique ciente de tudo. E, depois, a administradora liga para o cliente”, diz. E ressaltou que a empresa não vende cota contemplada. “Além do mais, qualquer depósito é feito na conta do consórcio e nunca do vendedor”, frisa. A empresa vendeu uma cota da H Consórcio, que informou que Reis é consorciado, mas que não tem relação com a Marconsor. “A placa tinha um nome quando em fui lá a primeira vez e, depois, mudou”, conta Reis.

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