Praça da Estação vira campo de futebol para jogo antiCopa

Movimentos sociais montaram seus times e disputaram um campeonato, no centro de BH

iG Minas Gerais | Aline Diniz |

Cidades - Belo Horizonte - MG
Copa das manifestacoes na praca da estacao.

FOTO: PEDRO GONTIJO / O TEMPO / 22.06.2014
PEDRO GONTIJO / O TEMPO
Cidades - Belo Horizonte - MG Copa das manifestacoes na praca da estacao. FOTO: PEDRO GONTIJO / O TEMPO / 22.06.2014

O juiz apita e começa a partida. Em tempo de Copa do Mundo, a cena é comum nos estádios. Mas o jogo neste domingo (22) não foi no campo, mas dentro das quatro linhas riscadas com giz no chão da praça da Estação, no centro de Belo Horizonte.

A juíza, nesse caso, era uma palhaça. Os jogadores eram pessoas que, ironicamente, não querem o Mundial, mas entraram na disputa por mais saúde e educação, entre outras necessidades para o país.

Os cerca de 300 brasileiros estavam lá com intenção de chutar a bola e mostrar que o “futebol é do povo e não da Fifa”, e tiveram direito a narrador e a torcida. A uma certa distância, estavam 160 militares, mais de 20 viaturas e alguns ônibus de prontidão no entorno da praça.

Mas o domingo foi de encontro no local, com shows, artistas, bazar, bebidas, comida e também partidas de futebol. O protesto deste domingo foi completamente diferente das últimas manifestações contra a Copa do Mundo na capital; lembrava mais o evento conhecido como “Praia da Estação”.

A forma lúdica escolhida foi inclusive alvo de críticas dos 30 militantes que protestaram contra o Mundial no dia anterior, na praça Sete. O fato é que não teve trânsito impedido nem passeata pela cidade – já que, segundo os manifestantes, o cerco da Polícia Militar (PM) vem reprimindo esse movimento.

“Nossa ideia é ocupar mais uma vez o espaço público, onde as pessoas se auto-organizam com verbas próprias para manifestar numa estética diferente”, disse o músico Gabriel Murilo, 30. Para a representante do Comitê Popular dos Atingidos pela Copa (Copac) e das Brigadas Populares, Isabella Miranda, a manifestação dessa forma conseguiu “furar o cerco da PM para dialogar com a sociedade os motivos do protesto contra o modelo Fifa”.

Ao longo de toda a tarde, apenas quatro pessoas foram detidas: duas por portarem facas, uma por estar com um estilingue, e uma por estar com maconha. Os suspeitos foram levados para Delegacia Noroerete, exceto a mulher, encaminhada para o Deajec. Mas o protesto lúdico foi pacífico do início, às 12h, ao fim. Início

Uma das primeiras equipes a chegar para o campeonato foi o pessoal da ocupação Tomás Balduíno, do bairro Areias, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte. Os 12 jogadores desceram da Kombi uniformizados com camisetas amarelas com letras verdes pintadas pela comunidade. “Que lindo ver todos com as camisas que a gente mesmo fez. Usamos bambu porque não tinha pincel”, disse Patrícia Soares, 33, desempregada.

No meio do grupo, um deles contava a história que ouviu falar de como teria surgido o nome torcedor: “Diz que as mulheres iam ver os maridos jogarem, ficavam nervosas e torciam o pano”. Será? Mas o papo não demorou nem dez minutos porque eles logo formaram seus times com os ‘sem camisa’ e pegaram a bola para jogar do jeito brasileiro: com improviso e criatividade. Quinze times participaram do campeonato. O vencedor foi o time "A rua é pública", do Barreiro.

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