A semana das definições

iG Minas Gerais |

A convenção do Partido dos Trabalhadores confirmou ontem a presidente Dilma Rousseff, mineira de Belo Horizonte, como candidata à reeleição. Enquanto isso, nos bastidores ferviam e fervem como nunca as negociações que ressuscitam Lula como candidato à Presidência. Dois motivos: Dilma tem índice alarmante de rejeição no Sul e no Sudeste, e isso é prelúdio de uma iminente queda de intenções de voto. Segundo: o quadro econômico nacional é o pior de muitos anos, com a Petrobras em frangalhos, marcada por fracassos estratégicos e por investimentos maldirecionados, ainda com o sistema Eletrobras em derrocada, que encontra exatamente em Dilma o cerne das maiores críticas. Pesam nisso as intervenções estabanadas e desastradas, como a promessa de uma queda de tarifas de 26%, que, ao contrário, desencadeou em curtíssimo prazo elevações de até 45%. Parece que o pior ainda aguarda o consumidor, que poderá desabar mesmo quando o fantasma das urnas estiver exorcizado. Se os sacerdotes de antigamente liam no voo dos pássaros e vaticinavam pelas entranhas do bode expiatório, hoje os analistas políticos que aconselham os candidatos apontam o risco terrível do aumento da rejeição e da desaprovação de Dilma como governante. Pelo Ibope, a desaprovação ultrapassou a aprovação, e quem a considera apenas regular representa outra parcela igual. Dilma nunca foi tão mediocremente avaliada. Isso acontece num momento crucial que determina o potencial eleitoral em curto prazo. Como captar votos se mais de um terço da população manifesta insatisfação em relação a ela? Nunca alguém nessa situação de descrédito anteriormente conseguiu a façanha de se eleger. Até índices bem mais confortáveis não foram suficientes para fazer alcançar a vitória. A tradição ensina que Minas Gerais é o Estado caixa d'água, não só pelas suas represas, que atualmente andam vazias, mas por ser o lugar de onde saem as tendências que inundam o país. Aécio é soberano em Minas e cumula uma projeção de 2 milhões de votos, que não possuem apenas um significado estatístico. Minas, com suas regiões díspares e representativas do Brasil, liga o Sul ao Nordeste e reflete, melhor que qualquer outro, a síntese nacional. Não é por acaso que quem encabeçava as pesquisas presidenciais em Minas no fim de junho acabou ganhando a eleição. O majoritário em Minas sempre foi quem subiu em seguida a rampa. Em 1994, Fernando Henrique, numa pesquisa realizada em Belo Horizonte pela CP2, passou seus adversários exatamente na última semana de junho e daí para a frente só abriu margem e conquistou no primeiro turno a vitória. Existe um desvio nesta ocasião: Aécio é ex-governador de Minas e não poderia perder no palco que o viu de intérprete. Enfim, joga em casa, entretanto Minas irradia, ergue-se de referencial. As vaias que atormentaram Dilma em 12 de junho, na abertura da Copa, teriam refletido uma brusca queda de Dilma. E se cair é de uma hora para outra, subir é muito mais demorado. Dilma cairá mais? O que pode fazer para estancar o processo? O que resta a seu partido fazer? A síndrome da derrota, adquirida por alguns caciques do PT, contagia indisfarçadamente a tropa e azeda o semblante. Lula tem se feito mais crítico, mais duro em relação à condução política de Dilma, que torrou seu arsenal de bondades antes da hora e chega agora de mãos abanando ao momento mais crucial. Os dois adversários dela são menos conhecidos e ainda menos expostos na mídia. Quer dizer que significativa parcela do eleitorado não tem condição de formar uma opinião, quanto menos de confiar um voto a quem, para ele, nem existe. Uma raposa velha como Lula entende com facilidade os fatores adversos e neste momento, mais do que nunca, é acionado e, por sua vez, ativo na possibilidade de uma virada de mesa substituindo Dilma caso Eduardo Campos aceite ser seu vice. Neutralizaria assim a sangria de votos no Nordeste que Eduardo captou e recuperaria parte daqueles que Dilma perdeu. Ainda neutralizaria o apoio de Eduardo Campos a Aécio no já previsto segundo turno. Eduardo Campos vive assim o dilema. Manter-se como terceira via e com esse atraente papel num momento em que os desejos de renovação gritam nas ruas. Cobiçado por Aécio, que deixou sua vaga de vice aberta, e ainda mais por Lula, que vê nele a panaceia para curar o efeito de rejeição a Dilma, Eduardo Campos, comprometido com Marina Silva, terá uma semana árdua, que tem até o dia 30 como o limite de uma decisão.

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