Falam muito

iG Minas Gerais |

Escrevo minhas colunas e assisto à Copa do Mundo de casa. Perco a emoção de estar dentro dos estádios, que vivi várias vezes, como comentarista e atleta, além de não me encontrar com vários jornalistas que gosto, admiro e que só vejo neste período. Por outro lado, assisto, na íntegra, a todos os jogos do Mundial e a toda cobertura da imprensa. Fico mais bem informado. E ainda tenho tempo, pela manhã, de fazer minhas caminhadas diárias. Na terça-feira, dia da partida entre Brasil e México e entre Bélgica e Argélia, no Mineirão, fui a pé, como faço, com frequência, até a Savassi, onde se concentram muitas pessoas, turistas e também acontecem as manifestações. Fiquei impressionado com o enorme número de policiais, todos prontos para soltar o cacete, se necessário. Nunca tinha visto, ao vivo, tantos policiais juntos. Isso dá segurança à população e, ao mesmo tempo, assusta. Era um ambiente de festa e de guerra. Estranho! Como gosto de silêncio, acho as transmissões das partidas pela TV muito barulhentas. Falam muito. Parece haver um concurso entre os narradores – há exceções – para saber quem fala mais rápido. Galvão Bueno não está em primeiro lugar. O ex-jogador Élber, comentarista de uma TV alemã, disse, no programa “Redação SporTV”, que só fala antes, no intervalo e depois do jogo. Fala pouco. As análises de alguns lances especiais e de mudanças táticas que ocorrem durante a partida são importantes para a compreensão do jogo. Ao mesmo tempo, há um excesso de informações e explicações. Amanhã, se Hulk e Fernandinho jogarem, o time deve melhorar. É muito frequente um atleta ter dores, como Hulk, com todos os exames normais, e também ficar ansioso, dormir mal. Quando estava tenso, eu jogava melhor. Está exagerada a importância dada às dores de Hulk. “Não sois máquinas, homem é que sois” (Charles Chaplin).

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