Papa Francisco excomunga ‘poderoso chefão’ italiano

Em visita a prisão, ele fez forte ataque ao crime organizado

iG Minas Gerais |

Igreja. Francisco condenou mafiosos, responsáveis pela morte de Nicola Campolongo, 3 (detalhe)
Reprodução Twitter e Felipe Dana / ap - 26.2.2014
Igreja. Francisco condenou mafiosos, responsáveis pela morte de Nicola Campolongo, 3 (detalhe)

Cidade do Vaticano, Vaticano. No que depender do papa Francisco, a cena final do filme “O Poderoso Chefão” – um acerto de contas entre famílias da máfia paralelamente a uma cerimônia de batismo – pode não ocorrer na vida real. Nesse sábado, em cerimônia na cidade italiana de Sibari, Francisco disse que membros da máfia “estão excomungados”. Ao se referir à ’Ndrangheta, grupo violento que atua no sul da Itália, Francisco disse que o crime organizado é um exemplo de “adoração do mal”.

Esse foi o mais forte ataque de um papa ao crime organizado desde 1993, quando o papa João Paulo II fez uma forte crítica às atividades mafiosas.

Em Sibari, Francisco visitou na cadeia o pai de Nicola “Coco” Campolongo, um menino de três anos de idade morto numa emboscada em janeiro, e condenou a violência do crime organizado contra crianças.

Francisco denunciou o ato na época em que o crime ocorreu, e pediu que os assassinos se arrependessem. “Que nunca mais uma criança tenha de sofrer assim. Oro continuamente por ele. Não se desespere”, teria dito o papa, segundo seu porta-voz.

O pai e a mãe de Nicola estão presos sob acusação de participarem de tráfico de drogas. O avô materno, que tinha a guarda do menino e foi morto na mesma emboscada, era um traficante sob liberdade condicional. Os três faziam parte de um braço da ’Ndrangheta.

Na mesma prisão onde Francisco encontrou o pai de Nicola, estão presos outros mafiosos. Lá, Francisco disse que eles deveriam usar seu tempo buscando o perdão de Deus por seus crimes para saírem reabilitados. “É essencial que os presos compreendam a importância de respeitar os direitos fundamentais do ser humano”, disse o religioso. Segundo ele, porém, “as instituições penitenciárias devem trabalhar para uma efetiva reinserção dos presos na sociedade”.

“Quando esse requisito não é cumprido, a prisão se converte num instrumento de castigo e represália social, danoso ao mesmo tempo para o indivíduo e para a sociedade”, disse.

Igreja e máfia

Colaboração. Francisco já fez diversos discursos contra o crime organizado desde que virou papa, mas, em algumas regiões da Calábria, há diversos relatos de colaboração entre religiosos e a máfia.

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