A véspera de um jogo da Argentina em um acampamento hermano

Torcedores do país vizinho se acomodaram em barracas e motorhomes na Pampulha e fizeram festa na noite que antecedeu ao duelo com Irã

iG Minas Gerais | Ricardo Corrêa |

Os torcedores do mundo inteiro esperam quatro anos por uma Copa do Mundo e dias e noites parecem uma eternidade. Para os argentinos que esperam desde 1986 pelo tricampeonato, a espera não tem fim. E é dispostos a acabar com esse jejum que milhares deles estão no Brasil para acompanhar a Copa do Mundo. Em Belo Horizonte desde a sexta-feira, eles tiveram uma longa noite ante da partida diante do Irã.

Hospedados no camping da Copa, em um clube da Aasbemge, na região da Pampulha, dezenas de 'hermanos' passaram a noite contando as horas para a partida. Acotovelados em barracas pequenas ou bem acondicionados em motorhomes de todo o tipo, dos mais luxosos aos simples trailers, eles só foram dormir quando o sol raiava.

Para eles, a noite é mesmo uma criança. E, como criança, gosta de brincar. De bola, como faziam os meninos na quadra já depois das 22h. Antes, alguns pararam na frente da TV para ver o 'imponente' Honduras e Equador. Eles gostam mesmo de futebol!

E foi só a bola sair de cena para eles também largarem a TV. Jornal Nacional e novela não são coisas de argentino. Estavam todos jantando. Entre 21h e 23h só se ouvia barulho de garfos, facas e o estourar de brasas do assado feito com carne brasileira. Sobrou até um mau humor para quem quis incomodá-los nesa hora.

Ainda que a madrugada fosse caindo, lá estavam eles. Jogando pebolim ou pingue pongue. O barulho das bolinhas seguiu até as 4h ou mais.

Só não se ouvia do outro lado do camping pois a cantoria não parava. "Desconexión Sideral" é o título da canção de Bersuit Vergarabat. A banda predileta do grupo mais animado do local, reunindo argentinos de Chaco, Buenos Aires e Rosário. Já passava das 3h quando a entoavam, depois de muita pizza, fernet e o hino da Argentina.

A essa altura, o Lionel Ruggia já dormia confortavelmente no motorhome feito a partir de um ônibus urbano modificado por ele e outros 10 amigos. Capricharam na decoração do espaço que tinha cozinha, bancos em forma de armário e camas para 11 pessoas. As fotos da montagem decoravam as paredes internas. Feito só para Copa?

"Sim, mas esperamos ir com ele para a Rússia em 2018. Colocar em um barco e ir. Quem sabe?", sonha o argentino com nome de craque.

Na madrugada à base de pizza para uns e churrasco para outros, a carne brasileira não agradou tanto. "A argentina é um pouco melhor", diz um deles, que ainda aproveita para alfinetar outra coisa genuinamente nacional. "A seleção do Brasil não vai à final. Está jogando mal. Só ganhou a primeira graças àquele coreano (apertando os olhos e em referência ao juiz japonês do jogo contra a Croácia). E no segundo, nada jogou", fala, com sinceridade e bons argumentos. Mas nem todos estavam achando ruim. Havia uma turma que fazia outro tipo de fumaça. Da fogueira e dos cigarros que, por aqui, ainda estão proibidos, também comendo carne brasileira: "Muito gostosa".

Saídas rápidas e elogios ao Brasil Enquanto estiveram no camping, os argentinos pediam dicas de lugares para ir perto. Vários foram para a Fleming. A porta quase não permanecia fechada. E sempre ressaltavam ao pedir sugestões: "Não é para comer, é para beber". Não se sabe ao certo se todos voltaram em tempo de acompanhar o jogo. Mas o fanatismo pela bola parece mais forte até que a bebedeira incontida. Mas a Copa dará um tempo. Nos próximos dias, a maioria deles irá curtir as praias do litoral brasileiro. Poucos irão a Porto Alegre para ver o terceiro jogo da Argentina. É que estão certos de que terão outras oportunidades para ver Messi e companhia brilharem.

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