Um esquadrão pelo título, um time pela dignidade

As seleções de Argentina e Irã se enfrentam hoje, às 13h, no Mineirão, pela segunda rodada do grupo F da competição mundial.

iG Minas Gerais | Felipe Ribeiro |

Um craque, um gênio. Agüero deseja desencantar, enquanto Messi quer deslanchar na Copa
douglas magno
Um craque, um gênio. Agüero deseja desencantar, enquanto Messi quer deslanchar na Copa

Como competição democrática, a Copa do Mundo possibilita duelos que colocam frente a frente equipes de níveis técnicos abismais. Como esporte imprevisível, o futebol permite que times inferiores vençam os grandes favoritos. É com essas duas linhas de pensamento que as seleções de Argentina e Irã se enfrentam hoje, às 13h, no Mineirão, pela segunda rodada do grupo F da competição mundial.

De um lado, a albiceleste cheia de grandes nomes da atualidade, principalmente do meio para frente. Di María, Agüero, Higuaín e, principalmente, Messi, eleito quatro vezes seguidas o melhor jogador do mundo. Tudo leva a crer que esse quadrado sairá de campo vitorioso, mas o técnico Alejandro Sabella receita humildade e entrega durante toda a partida para confirmar dentro de campo esse favoritismo.

“São 90 minutos de futebol, que é o esporte mais imprevisível que se tem. Qualquer um pode ganhar. Temos que jogar, mostrar nossas forças e a capacidade de ganhar. Pensar que já ganhamos seria o maior dos pecados que poderíamos cometer. Temos que manter a concentração, a humildade do minuto zero ao 90. Não é um rival fraco, é uma partida de Copa do Mundo e não podemos subestimar ninguém. Não é discurso, é atitude na vida, como acho que tem que ser um time de futebol. Temos que jogar 100% o tempo inteiro”, disse o treinador.

O português Carlos Queiroz, que comanda um time sem nenhuma estrela, mas com muita vontade de surpreender, sabe que as duas seleções vivem realidades completamente diferentes neste Mundial, mas não abre mão de uma atuação digna de seus comandados. O treinador usa frases de efeito para passar confiança aos atletas.

“A primeira missão que nós temos é surpreender e superar a nós mesmos. Vamos enfrentar uma equipe que vem fazer outro Mundial, não o nosso. O deles é jogar para ganhar. Nós viemos para ganhar a taça da dignidade. Temos que tentar estar à altura para fazermos um jogo digno. Nenhum jogo está ganho, nem sempre os times melhores vencem, e nem sempre os piores perdem”, disse Queiroz.

Discursos à parte, qualquer resultado que não seja a vitória da Argentina será uma grande zebra que entrará para a história das Copas. Uma questão de fé 

Hoje, além dos argentinos devotos de Maradona, tido como um deus pelos hermanos, o Mineirão também recebe os torcedores do Irã, um país conhecido por sua fidelidade ao islamismo. Se o assunto for a fé, os orientais levam a melhor neste confronto. E, em Belo Horizonte, nas tardes de sexta-feira, é possível conferir um pouco das tradições islâmicas. Na única mesquita de Minas Gerais, situada no bairro Mangabeiras, ocorre o culto “salat ul juma”, que, desde 1993, é comandado pelo sheik Mokhtar el Khal, responsável pelo espaço.  Durante a chegada dos fiéis à mesquita, Mokhtar ressaltou: “A maioria que vem aqui é de brasileiros. Quando tem uma semente do islamismo plantada aqui, eu fico muito feliz”, comentou o sheik.   Natural do Marrocos e torcedor do Raja Casablanca, ele está acompanhando a Copa só pela televisão. “Ao estádio eu não aconselho a ir. Fazem muita coisa que não se deve lá”, destacou o religioso.  O argelino Yaaqoub Djenoub veio à capital mineira para ver Bélgica x Argélia e aproveitou para passar pelo templo. “Na verdade, eu fiquei surpreso por achar uma mesquita aqui. Estou gostando muito da cidade”, afirmou.

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