Pela primeira vez, Argentina admite negociar a dívida

Governo desiste do discurso duro, criticado, e abre diálogo

iG Minas Gerais |

Medo. Mercado financeiro argentino vive dias de insegurança
Eduardo Di Baia
Medo. Mercado financeiro argentino vive dias de insegurança

BUENOS AIRES, Argentina. Em meio à disputa judicial nos tribunais norte-americanos com credores que não participaram das operações de reestruturação da dívida de 2005 e 2010, a presidente Cristina Kirchner pediu ao juiz Thomas Griesa, encarregado do caso, que sejam geradas “condições para chegar a um acordo que seja bom e igualitário para 100% dos credores” do país.

Em discurso transmitido por cadeia nacional, a chefe de Estado confirmou ter dado instruções aos advogados do país para que solicitem ao juiz de Nova York, que em sentença ratificada pela Corte Suprema dos Estados Unidos ordenou o pagamento de US$ 1,5 bilhão aos chamados fundos abutres, “condições de negociação justas e de acordo com a Constituição, as leis e os contratos assinados com 92,4%” dos detentores de bônus argentinos que aceitaram as ofertas de troca de 2005 e 2010.

Depois de um discurso muito mais duro no início da semana, criticado por Griesa em audiência com ambas as partes, Cristina mostrou-se mais cautelosa e falou, pela primeira vez, na opção de uma “negociação” com os fundos abutres.

“Queremos que sejam cuidados 100% (dos credores) e que se gerem essas condições, porque a Argentina sempre estará disposta a dialogar”, declarou a presidente, em ato na cidade de Rosário, província de Santa Fe, em comemoração do Dia Nacional da Bandeira.

Assim, depois de dias de forte nervosismo no mercado local (na última quinta-feira a Bolsa de Valores de Buenos Aires despencou 4,9%), Cristina insistiu em assegurar que a Argentina aceita negociar.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave