A patrulha dos hinos

iG Minas Gerais |

Se tem uma coisa muito legal em Copas do Mundo, dentre tantas outras, é a execução dos hinos nacionais dos países antes das partidas, momento que melhor denota e encerra a abrangência territorial e emocional da competição esportiva mais importante do planeta.  Pena que seja tocada apenas uma parte das músicas, uma imposição da Fifa, presumo, para não atrapalhar o aquecimento dos jogadores, a única explicação plausível para que não se execute os hinos por inteiro. O que surpreende neste Mundial é a polêmica que vem sendo criada sobre a reação dos atletas diante dos hinos de “seus” países.  Tem de tudo: jogador chorando copiosamente, outros segurando as lágrimas, alguns cantando efusivamente, atleta calado e concentrado, nego fingindo estar emocionado, enfim, cada um reage de um jeito, mas tem muita gente comentando essas reações, tão pessoais. Neste mundo globalizado, há vários jogadores naturalizados, alguns só para poder disputar uma Copa do Mundo, sem quase nenhum vínculo afetivo com as nações que defendem.  Outros, principalmente de países mais pobres, como os africanos, saíram de seus lugares de origem muito novos para tentar a vida como atleta profissional, deixando para trás amigos e família em condições deploráveis, o que deve balançar o coração na hora do hino. Não estou entendendo ex-jogadores, alguns pelos quais tenho grande respeito, dizendo que tal reação é boa ou ruim, que isso afeta ou não afeta o desempenho em campo, que estão querendo usar o momento do hino para isso ou aquilo. Seria a mesma coisa dizer que a pessoa gostar de azul, e não de verde, é legal ou não. Que o fulano preferir arroz a feijão está certo. Que um homem ter atração sexual por outro homem é errado. Que uma mulher se relacionar com uma pessoa do mesmo sexo afeta o desempenho profissional dela.  Cada um reage da maneira que melhor lhe convier, chorando ou não, cantando ou não, vibrando ou não. Ninguém tem nada a ver com isso.  No caso da seleção brasileira, independentemente da reação individual dos jogadores na hora do hino, a entrada em campo com uma das mãos sobre o ombro do companheiro da frente é realmente bastante infantilóide, coisa de primeira série do antigo primário, e na época da ditadura militar. Ultrapassado mesmo! Parece um bando de meninos obedecendo a ordem da professora. Agora, se os atletas acham que isso ajuda, que façam.   

Zebra bem-vinda Quem achou que a vitória da Costa Rica sobre o Uruguai (3 a 1) foi um acidente de percurso, ontem percebeu que a seleção do país da América Central é mesmo um bom time, com jogadores habilidosos e muito bem armado taticamente. Fez 1 a 0 na Itália, que não viu a cor da bola. E ainda teve um pênalti claro não marcado contra a seleção europeia. Costa Rica está nas oitavas de final e, agora, não pode mais ser considerada uma surpresa.  A nova zebra Entra Copa, sai Copa, a Inglaterra segue com um futebol ridículo. Dá sono! Não por acaso, o país que inventou o futebol ganhou só um Mundial, em casa (1966), e com um gol irregular na final. A Inglaterra sim, já desclassificada, é zebra se chegar a uma futura final. Quanto à Espanha, eu já tinha escrito que a época de ouro acabou, mas o vexame foi o maior da história das Copas. Atual campeão cair na segunda rodada da primeira fase é incompreensível. 

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