Todos os anos, mais de 160 mil são hospitalizados com asma

No Dia Nacional de Controle da Asma, médicos dão dicas de como controlar o problema respiratório

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Cuidado. Roseane conta que aprendeu a tomar precauções para evitar as crises de asma da filha Sofia
JOAO GODINHO / O TEMPO
Cuidado. Roseane conta que aprendeu a tomar precauções para evitar as crises de asma da filha Sofia

O inverno chega ao hemisfério sul hoje, e é motivo de grande preocupação. Principalmente para os mais de 20 milhões de asmáticos no Brasil. Isso acontece porque os sintomas da doença costumam se agravar com o clima frio e a permanência mais prolongada em ambientes pouco arejados, que favorecem a presença de poeira e ácaros.

Segundo especialistas, o problema é ainda mais preocupante porque vem acometendo um número cada vez maior de pessoas. Presente em 10% dos adultos e 20% das crianças e adolescentes brasileiros, a asma já é considerada a quarta causa de internação hospitalar no país, chegando a 160 mil hospitalizações por ano. O alerta é da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) na data em que é lembrado o Dia Nacional de Controle da Asma.

De acordo com a pediatra Norma Morais, essa é uma doença inflamatória crônica que atinge as vias aéreas e está intimamente relacionada com fatores ambientais (tabagismo, presença de animais domésticos, poeira e ácaro e limpeza do ambiente). “A asma se manifesta principalmente por chieira recorrente, tosse crônica e cansaço e é frequentemente confundida com sintomas gripais. É uma doença de caráter hereditário e pode se manifestar em qualquer período da vida, mas é mais comum desde a infância”, explica.

Exemplo. A dona de casa Roseane Cristina Evangelista, 38, conta que a filha Sofia Domingues, 7, começou a apresentar os primeiros sintomas da doença ainda bebê. E era quando o tempo esfriava que a chieira e as crises se agravavam, fazendo com que a menina ficasse internada por até 12 dias. “Desde os 9 meses de idade que ela começou a ter as crises, mas até então eu só a levava ao pronto-socorro. Até que as crises foram aumentando, e ela tinha que ficar internada”, conta a mãe.

Norma afirma que o diagnóstico é feito por meio de uma investigação médica, mas a doença não tem cura. No entanto, o cuidado é fundamental para que a asma não se agrave, levando a complicações como insuficiência respiratória e pneumonia.

“É possível fazer o controle e conseguir diminuir os episódios de crise aguda, melhorar a função pulmonar do paciente e a sua qualidade de vida. O tratamento é medicamentoso e, geralmente, são usadas medicações inalatórias para controle diário, conhecidas como bombinhas ou sprays orais”, afirma a pediatra.

Segundo Roseana, após começar a fazer o controle diário com o uso de remédios, Sofia dificilmente chia e já não tem mais as crises. “Também tive que mudar muita coisa em casa. Não tenho tapete, nem estofado de tecido e ursinho de pelúcia. A casa é limpa todos os dias para tirar a poeira dos móveis e passar um pano úmido no chão”, afirma.

Redução. Para conseguir essa melhoria na qualidade de vida, Roseane revela que a filha foi uma das 215 crianças de até 12 anos que participou, durante seis meses (entre julho e dezembro de 2013), do Programa de Atenção Ambulatorial à Criança com Asma, na unidade de pronto-atendimento da Unimed em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Após promover um acompanhamento contínuo por meio de consultas médicas, a quantidade de internações foi reduzida em 76%. Além disso, a frequência do grupo no pronto-atendimento caiu 26% e houve uma queda de 54% nas consultas sem hora marcada e com atendimento por ordem de chegada. “Os resultados foram tão animadores que o número de crianças que participam do ambulatório de asma foi ampliado de 215 para 690”, afirma o superintendente de Serviços Próprios da Unimed-BH, Luis Fernando Rolim.

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