A “elite” e os outros mais

iG Minas Gerais |

Enquanto a Copa rola, impressionantemente melhor do se imaginava, tanto na organização como nos confrontos entre os times que foram travados até aqui, os políticos vão planejando suas ações para entrar de cabeça na disputa eleitoral a partir de 14 de julho se a seleção brasileira for até a final, marcada para um dia antes, porém a antecipação é certa caso Felipão e seus comandados não consigam superar as limitações que apresentam dentro das quatro linhas.  Com os nomes colocados e as alianças definidas, terá início a disputa propriamente dita. O fim do torneio internacional, porém, não anulará as consequências do belo e intenso “circo” montado pela Fifa com o questionável subsídio do poder público brasileiro.  Se antes era certo imaginar que uma competição desse nível ajudaria o PT a se perpetuar no poder (certamente dessa forma pensava Lula ao forçar a barra para trazer o Mundial para cá), os dias de hoje, porém, não permitem a ninguém dizer que a estratégia deu certo. Da mesma forma, se antes a vitória do Brasil no futebol significava uma situação mais cômoda para a presidente Dilma Rousseff no desenvolvimento de sua campanha, atualmente, com tudo o que se tem visto, isso também não é tão certo assim. Como gosta de dizer Lula, as vaias e os palavrões contra Dilma foram desferidos pela “elite” e espalhadas pela maldade da imprensa. O ex-presidente não está de todo errado. Ao rever os vídeos, é fácil perceber que a “elite” a que se refere Lula reproduziu o som que se iniciou nas áreas VIPs do Itaquerão. É uma verdade, mas dita pela metade, pois, ao mesmo tempo, black blocs e outros “sem-Copa” quebravam os centros das capitais e as lojas dos patrocinadores do Mundial. Conhecido pelo petismo fanático, o ministro Gilberto Carvalho acabou indo de encontro ao seu líder. Foi o primeiro a levantar a voz para dizer que as vaias não são “somente da elite”. Os “repetidos discursos” (não seriam fatos?) que rotulam o PT como um partido corrupto estariam se impregnando na sociedade, “descendo como gotas de uma elite, passando pela classe média e chegando aos meios populares”.  Carvalho talvez tenha captado o verdadeiro sentimento da sociedade. Afastando-se do viés de sua análise e substituindo algumas palavras, o canto da sereia, mesmo sendo entoado pela mesma voz rouca de Lula, anda desafinando. O resultado é mais uma queda de popularidade do governo Dilma, que se aproxima cada vez mais dos 26% de aprovação com que FHC deixou seu governo. O PT, entre quatro paredes, pergunta-se o que fazer. Mas a compreensão do que virá pela frente é tarefa dificílima. O Brasil, ficando com o título da Copa, agrada à tal “elite”, que lota estádios e vaia a presidente. Com a derrota, o discurso de quem sai para as ruas e apronta quebradeiras irá encontrar um símbolo a mais para externar a raiva latente, aumentando o sentimento geral de insatisfação com o país. O mau humor ou bom humor da sociedade, neste momento, é a maior incógnita para o PT.

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