Religião norteia de política a cotidiano

Tudo passa pelos templos e monges: decisões políticas de Estado, nascimento, casamento e morte

iG Minas Gerais | Claudia Sarmento |

No Monastério de Paro, crianças e adolescentes são preparados para serem os futuros monges
Claudia Sarmento/Agência O Globo
No Monastério de Paro, crianças e adolescentes são preparados para serem os futuros monges

É realmente difícil não se deixar enfeitiçar por um lugar onde arco e flecha de bambu são o brinquedo preferido das crianças (como atividade esportiva, jamais para caçadas), onde não há poluição, as águas dos rios são transparentes, e meditar é rotina.

O budismo é mais do que uma religião para os butaneses. É um modo de vida que influencia decisões diárias e políticas de Estado. Tudo passa pelos templos e monges: nascimento, casamento, morte, mas também coisas mais banais, como uma curta viagem de carro (é importante rezar por um trajeto seguro) ou uma prece por um dia de sol.

A população, profundamente devota, pratica o budismo vajrayana, uma das escolas da religião. O Dalai Lama, líder espiritual do vizinho Tibet, é respeitado, mas os butaneses acreditam em seus próprios budas reencarnados.

Isolado do mundo durante séculos, o Butão pôde se apegar às suas crenças de uma maneira única, preservando cerimônias repetidas desde a era medieval. 

 

‘Ninho do Tigre’ é um oásis de paz e silêncio

Se fosse necessário escolher apenas um passeio a ser feito no Butão, os butaneses não vacilariam em aconselhar: o monastério de Taktsang, mais conhecido como o “Ninho do Tigre”, símbolo maior do budismo no reino, pendurado num penhasco a mais de 3.000 m de altura. Chegar perto do céu dá trabalho – a subida íngreme não dura menos de três horas, a partir do vale de Paro –, mas o esforço é recompensado à primeira visão do santuário que flutua entre as nuvens.

Alguns enfrentam a trilha a cavalo, mas a maioria das pessoas (das mais diferentes idades e nacionalidades) prefere fazer a caminhada a pé, como os monges fazem desde 1692, quando o complexo foi fundado. Os butaneses acreditam que foi ali, nas cavernas do pico, que o Guru Rinpoche (Padmasambhava), pai do budismo no país, meditou durante três anos, três meses, três dias e três horas, no século VIII. Diz a lenda que ele chegou ao topo no lombo de um tigre voador. O templo foi erguido em torno das grutas e ficou fechado ao público durante séculos. Só os religiosos poderiam rezar no isolamento da montanha.

O monastério foi destruído pelo fogo duas vezes. A construção atual é uma réplica, o que não diminui o impacto da visita.   

QUEM LEVA

Visto: Butão exige visto de turistas de todas as nacionalidades, com exceção de indianos e bengaleses. As operadoras locais ou parceiras internacionais coordenam a emissão, que custa US$ 40.

Operadora: Queensberry

Informações: VTours (31) 3293-5570

Roteiro: Nepal e Butão

Saídas: De setembro a outubro (quintas, sextas, domingos e terças) Preço: De US$ 4.669 a US$ 13.195 ( parte terrestre) por pessoa Pacote: Nove dias, com hospedagem (café da manhã), traslados, seguro e aéreo de Nepal a Butão. A partir do Brasil, preço do aéreo sob consulta

 

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