A dança dos aprendizes

Monastérios se espalham pelo país; butaneses se apegam às suas crenças religiosas

iG Minas Gerais | Claudia Sarmento |

Butaneses caminham ao redor da estupa (espiral dourada) no Memorial de Chorten
Claudia Sarmento/Agência O Globo
Butaneses caminham ao redor da estupa (espiral dourada) no Memorial de Chorten

Rinpung Dzong, em Paro, erguida em 1644, já foi a maior fortaleza do Butão, protegendo o território dos invasores tibetanos. Hoje, é um monastério, onde dezenas de meninos são educados. Não é uma construção imensa, mas a visita pode demorar horas. É hipnotizante assistir aos jovens aprendizes circulando com seus mantos vermelhos, que dançam sob o vento forte. O lugar serviu de cenário para “O Pequeno Buda” (1993), filme de Bernardo Bertolucci.

Sejam encravados em penhascos ou ao longo das estradas, monastérios e templos são as grandes atrações do Butão – uma janela para que os turistas possam observar a rotina espiritual. Há milhares deles espalhados pelo país. No seu interior, em geral, não há ostentação. Os altares são coloridos, enfeitados com adornos simples, de papel ou massa, e oferendas (biscoitos, flores e frutas). A principal fonte de luz são pequenas lamparinas – as chamadas lâmpadas de manteiga de iaque.

Caminho

Para chegar ao monastério de Cheri, ou Chagri Dorjeden, como é conhecido, é necessário enfrentar uma trilha de cerca de uma hora, montanha acima, a partir de Thimphu. O caminho é tão mágico que a gente esquece a respiração ofegante (a capital está a 2,3 mil m de altitude).

A construção, de onde se tem uma vista perfeita do vale do Thimphu, data de 1620. Atualmente funciona como um importante centro para retiro espiritual. Muitos monges se reúnem ali para meditar (alguns por meses seguidos). Fazem voto de silêncio e comem o mínimo, mas sorriem para os visitantes que chegam suados e encantados com a paisagem. O tempo no alto da montanha parece ter parado em outro século.

Já o Memorial de Chorten, próximo à capital, é uma obra moderna (de 1974), mas também fundamental para entender a religiosidade dos butaneses. Trata-se de uma estupa (santuário budista comum na Ásia) em homenagem ao rei Jigme Dorji Wangchuck, avô do monarca atual. Caminhando ao redor da espiral dourada, a população faz as suas orações. Nas mãos, levam terços para entoar os mantras no meio do dia, sem pressa.

Os frequentadores mais idosos, alguns doentes, vão ali todos os dias. Sentam-se perto das rodas de reza – estruturas de madeira que cercam os templos e são um símbolo da sorte – comem, conversam ou apenas observam o movimento. Acreditam que o santuário faz milagres.

Costume

Os lábios e os dentes avermelhados de uma boa parte dos devotos que se vê ali têm explicação: a doma. A noz, típica dos Himalaias, é mascada à exaustão. Aquece o corpo, produz energia e diminui os efeitos da altitude. Mas pode viciar. É uma prática mais comum entre os moradores das áreas rurais.

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