País une o novo à tradição

Jovens usam jeans e celular; progresso é medido pela satisfação do povo

iG Minas Gerais | Claudia Sarmento |

Nas proximidades de Paro, são encontradas extensas plantações de arroz
Claudia Sarmento/Agência O Globo
Nas proximidades de Paro, são encontradas extensas plantações de arroz

O Butão começou a se abrir para o mundo na década de 70. No discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), o então rei Jigme Singye Wangchuck falou, pela primeira vez, sobre o conceito de progresso medido pela satisfação do povo, ou Felicidade Interna Bruta (FIB). O monarca acreditava que seria possível impulsionar a minúscula economia sem abrir mão dos valores espirituais budistas.

O indicador, que foi oficialmente adotado, mede aspectos como o bem-estar dos cidadãos, a preservação ambiental e o desenvolvimento educacional. O FIB ficou famoso e é motivo de orgulho para a população.

Em 2006, o rei abdicou em favor de seu jovem primogênito, Jigme Khesar Namgyel Wangchuck, e uma nova era começou. O índice alternativo para medir a prosperidade não foi abolido, mas o primeiro-ministro Tshering Tobgay, eleito democraticamente em 2008, busca medidas mais ortodoxas para promover o crescimento e combater os problemas de desemprego.

Transformação

O país atravessa uma fase de transformações políticas, econômicas e sociais radicais. Os celulares são onipresentes e os jovens usam as mídias sociais, adoram filmes coreanos e as roupas tradicionais – gho (homens) e kira (mulheres) – predominam nas ruas, mas já não é contra a lei vestir jeans e camiseta.

Thimphu, a capital, reúne dois terços da população e vive um boom de construções. Ainda assim, nada lembra as caóticas capitais do Sul da Ásia. Todos os prédios devem seguir os rígidos padrões da arquitetura butanesa, com telhados de madeira inclinados e desenhos folclóricos (e fálicos) nas fachadas. A uniformidade não é monótona. Pelo contrário, é mais um raro exemplo de modernização sem descaracterização.

Para os padrões locais, Thimphu e Paro, onde fica o aeroporto internacional, são cidades imensas. Elas têm, contudo, apenas uma avenida. A capital sequer possui sinais de trânsito, que chegaram a ser instalados, porém deixaram os motoristas irritados. E como estresse não combina com os butaneses, o tráfego agora é controlado por um guarda solitário, vestido a caráter e abrigado numa cabine que parece saída dos tempos feudais.

UM SONHO

A olhos ocidentais: A professora canadense Jamie Zeppa foi dar aulas de inglês no Butão como voluntária. Deveria ficar só alguns meses. Ficou dez anos. Em trecho de seu livro, “Além do Céu e da Terra”, publicado em 1999, ela descreve seu amor pelo país: “Eu me encantei por esse mundo do jeito que caímos no sono, atravessando camadas de escuridão até o sonho... Estou apaixonada pela minha vida simples, pelo quarto vazio, as estantes e paredes sem enfeites. Não quero voltar para casa no Natal. Nem em tempo algum”.

Exemplos de originalidade e simplicidade

Arquitetura: O palácio real em Paro segue as típicas construções locais, como os monastérios, reverenciados como redutos de mestres, que orientam jovens em busca, sobretudo, de iluminação

Capital: Jovens em rua de Thimphu, repleta de novas construções sem ser caótica; o país está em franca transformação, mas sem abdicar de seus seculares costumes e tradições

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