Perto do céu

Monastérios budistas e natureza preservada são as principais atrações do país asiático

iG Minas Gerais | Claudia Sarmento |

O monastério de Taktsang, conhecido como o “Ninho do Tigre”, fica a 3.000 m
Douglas J. McLaughlin/Commons
O monastério de Taktsang, conhecido como o “Ninho do Tigre”, fica a 3.000 m

O menino que estuda para ser monge budista chega atrasado a um salão do monastério lotado de garotos de diferentes idades, todos com a cabeça raspada e cobertos com um manto vermelho. Ele consegue entrar e se sentar no chão sem que o mestre perceba. Quando nota que a visitante estrangeira viu sua manobra inocente, dá um sorriso cúmplice, começa a recitar seus mantras e se desliga do que está à sua volta. A antiga fortaleza Rinpung Dzong, do século XVII, é uma escola monástica no Vale de Paro, no Butão. É um universo pouco familiar aos olhos de um ocidental – assim como tudo o que envolve o pequeno país. Mas quem vem de longe também consegue se sentir em paz. O povo, suas tradições e a paisagem deslumbrante fazem do chamado “Reino do Dragão” um dos destinos mais fascinantes do mundo.

O Butão não pode ser comparado a nenhuma outra nação asiática. Está espremido entre dois gigantes, a Índia e a China, mas não se deixou anular por suas influências, assim como jamais foi colonizado. Num continente onde a urbanização é tão acelerada quanto descontrolada, os butaneses seguem um ritmo próprio.

Shangri-la

Até a década de 60, não havia estradas. A TV só chegou no final dos anos 90. A democracia é recém-nascida: a primeira eleição livre aconteceu há apenas seis anos. Setenta por cento da população ainda vive da agricultura. As montanhas são cobertas por bandeirinhas coloridas que contêm preces pela compaixão e a harmonia a serem espalhadas pelo vento. A altitude deixa os viajantes sem ar, mas o que realmente tira o fôlego é a beleza dessa terra intocada. Um clichê predomina quando se fala sobre o Butão, nome que nem todo mundo saberia localizar no mapa. Shangri-la, ou seja, o “paraíso perdido, é uma definição frequentemente usada para descrever o lugar, e não é difícil entender o porquê.

Encravado nos Himalaias, o reino, com apenas 725 mil habitantes, está aberto ao turismo, mas nem tanto. É uma indústria controlada, de baixo impacto e alto valor, com limitações – a começar pelo complicado acesso – que só aumentam a mística em torno do destino. O governo não quer turismo de massa, com multidões lotando as trilhas e desrespeitando as tradições.

Visitas limitadas

As agências oficiais organizam cada passo da viagem, incluindo reserva das passagens (só existe uma companhia aérea, a Drukair), refeições e guias para acompanhar os turistas estrangeiros.

Circular sozinho é proibido. Além disso, é necessário pagar uma taxa (US$ 40) por cada dia de permanência. Os pacotes mais baratos estão em torno de US$ 200 a US$ 250 por dia. O alto luxo existe – representado por hotéis como o Amankora (da cadeia Amanresorts) – e inclui confortos da vida moderna, mas sem exageros.

A comida local não é o forte do país. O que faz do reino uma viagem memorável é a determinação dos butaneses em manter sua identidade a qualquer preço.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave