Após reclamações, motorhomes de torcedores deixam Copacabana

Secretaria da Ordem Pública afirmou quenão é permitido o estacionamento de veículos de mais de duas toneladas na orla

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Os motorhomes chilenos e argentinos que ajudaram a compor o cenário festivo da praia de Copacabana na última semana já começam a deixar a orla - por bem ou por mal.

Depois de receber reclamações de moradores sobre estacionamento irregular, a prefeitura encaminhou os motorhomes ao Terreirão do Samba, no bairro da Cidade Nova, região central do Rio, na última sexta (20).

Segundo a Seop (Secretaria Municipal de Ordem Pública), até o início da tarde de sexta, seis veículos e um ônibus já estavam estacionados no local.

A Seop diz que não é permitido estacionar veículos de mais de duas toneladas na orla. Quem insistir no estacionamento poderá ser multado e ter o veículo rebocado.

De acordo com a Guarda Municipal, desde o início da Copa 35 veículos estrangeiros foram rebocados do Leme, bairro que fica no final da praia de Copacabana, e foram aplicadas 390 multas. Nesse balanço estão incluídos veículos nacionais e estrangeiros. O número de multas pagas não foi informado.

Outros motorhomes deixaram a cidade para acompanhar suas seleções. A Argentina joga no sábado (21) em Belo Horizonte e o Chile, em São Paulo, na próxima segunda (23). Depois das reclamações, a prefeitura do Rio apertou o cerco aos motorhomes, e problemas vieram à tona.

Na quarta-feira (18), um grupo de 26 chilenos declarou, em entrevista ao jornal "O Globo", que não deixaria a praia pois diziam ter pago R$ 200 a um policial e a uma guardadora. O jornal diz ter presenciado o ocorrido.

À Folha de S.Paulo, um grupo de argentinos contou que tem pago R$ 120 por dia para estacionar nas dependências de um posto de gasolina.

As reclamações sobre os motorhomes vieram principalmente dos moradores do Leme. "O Leme é o penico de Copacabana", diz o presidente da Associação de Moradores do Leme, Francisco Nunes, também conhecido como Chicão. Ele reclama da falta de planejamento da prefeitura para a chegada "desses motorhomes de última geração -dos anos 1950, 1960".

Segundo ele, os moradores do Leme estavam levando cerca de meia hora para sair do bairro por conta do número de motorhomes estacionados irregularmente na orla.

"Sabemos que se trata de um mês festivo, mas e se houver uma emergência? O morador do Leme está levando meia hora para sair do bairro", diz ele.

Na manhã de quarta, a Folha de S.Paulo presenciou discussões entre turistas, guardas municipais e moradores.

"É uma discriminação", dizia um chileno que viajava com dez amigos num motorhome. "Nós estávamos tranquilos até agora, e hoje começou esta confusão".

"Foi uma ordem de cima", respondia o guarda, "e agora eu é que tenho que resolver". Enquanto isso, um senhor que caminhava pelo calçadão gritou: "se eu não posso, vocês também não podem!", se referindo ao estacionamento na orla.