No Le Monde, olhar estrangeiro mostra Belo Horizonte de perto

Jornalista francês dá "um rolé" pela capital mineira e retrata o que descobriu sobre a cidade; arquitetura, gastronomia e os botecos e bares foram o destaque

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

PEDRO GONTIJO / O TEMPO
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A cidade de Belo Horizonte, que foge um pouco ao tradicional circuito turístico do país - geralmente, as praias do Nordeste e o Rio de Janeiro são os lugares mais cobiçados pelos turistas - foi lembrada, na última terça-feira (17), pelo blog do jornal francês Le Monde, em um compilado de assuntos relacionados à Copa do Mundo. A arquitetura da cidade, assim como a fama de “desconfiado” do mineiro e os bares da capital, foram citados como trunfo da cultura belo-horizontina.

O jornalista do Le Monde Anthony Hernandez começa o texto tratando Minas Gerais como um “Estado que tem prosperado por meio de seus depósitos de esmeralda e ouro, agora, substituídos pelo ferro”. As cidades de Diamantina e Ouro Preto entram neste contexto como as principais cidades que prosperaram no ramo e, logo após, Belo Horizonte é citada como uma cidade que, diferente do desenvolvimento dessas duas, “surgiu do nada”.

O arquiteto brasileiro Flávio Agostini, 42, é quem mostra o que BH tem de melhor ao jornalista que, ao conhecer a praça da Liberdade, desvenda o porquê de ela ser um dos pontos turísticos mais populares da cidade. “Os passeios sombreados são agradáveis entre os gramados, lagos e bancos públicos da praça”, analisou Hernandez, que também ficou maravilhado com a arquitetura de Oscar Niemeyer, presente em um dos edifícios que circundam a praça.

Lugares que passam despercebidos diariamente por nós, belo-horizontinos, não fogem ao olhar estrangeiro e desacostumado. A avenida do Contorno, por exemplo, é citada no texto como um anel viário que circunda o plano original da cidade em um desenho estruturado e geométrico.

E é claro que o circuito boêmio e gastronômico da capital não poderia ser deixado de fora. Hernandez define o Mercado Central como “um templo dedicado aos deuses da gastronomia”. A comida atraente foi alvo de elogios na matéria, especialmente, as frutas exóticas vendidas “a preço de banana” aqui, e que no exterior custam uma fortuna, além das especialidades locais mais marcantes: queijo e cachaça, tratada como “um rum brasileiro, que é um deleite para os amantes da caipirinha".

Os animais e aves de todas as espécies, vendidas no Mercado Central, foi citada como uma “verdadeira Arca de Noé”. Mas, o arquiteto Flávio, lembra ao jornalista que essa "é uma tradição antiga, mas não vai durar. As pessoas estão cada vez mais sensíveis as questões animais”.

Os bares repletos de gente e cerveja também não ficaram de fora do texto: “Espalhe alguns bares, alegres e barulhentos, lotados de clientes em um único espaço. Garçons, de pé no balcão, seduzem os transeuntes acenando grandes garrafas de cerveja”, escreveu Hernandez.

E como não devia deixar de ser, outra coisa que chamou a atenção do jornalista foi o jeito “curioso e desconfiado” dos mineiros, exemplificado em Belo Horizonte. O arquiteto explicou que isso não quer dizer que nós não acreditamos facilmente, mas “é que ninguém gosta de espalhar as nossas riquezas”.

Para finalizar o passeio turístico, Hernandez pode ver a cidade vista do ponto mais alto, o mirante do parque das Mangabeiras, e percebeu a discrepância entre as classes na cidade. “Você anda pelas favelas que convivem, separadas por algumas centenas de metros, dos distritos da moda. As bandeiras do Brasil florescem junto com as outras bandeiras das nações participantes da Copa”, escreveu.

Comentários

Apesar de terem ficado de fora da matéria, as manifestações populares que têm acontecido em Belo Horizonte, foram lembradas nos comentários do blog. Um dos leitores citou que o número de manifestantes na capital é “ridículo” em comparação as grandes manifestações. Outro, ficou indignado com a ausência do assunto: “Você realmente esteve em Belo Horizonte? Naquele dia [se referindo à data de publicação da matéria, mesmo dia em que Brasil e México se enfrentaram em Fortaleza, e Argélia e Bélgica jogaram na capital mineira] a polícia enfrentou os manifestantes no centro da cidade. Por que você não mencionou isso? Este é Le Monde ou o Le Figaro?”

A resposta do jornalista veio em seguida: “Você pergunta bem. Refiro-me a este blog que fala sobre eventos. E o meu desejo neste post foi conhecer a cidade de Belo Horizonte. Eu não estava falando de futebol e, portanto, não falei de manifestações”.

Já sobre as mulheres, outro aspecto da cidade que sempre rende muitos elogios, um leitor francês lembrou: “Belo Horizonte é uma das mais belas e surpreendentes cidades que eu encontrei. Cidade moderna e cosmopolita. E as mulheres de Belo Horizonte são as mais bonitas do Brasil. Bela cidade!”. 

Veja a matéria sobre Belo Horizonte no Le Monde, na íntegra, clicando aqui. 

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