Em prol do potencial singular

Primeira edição do Arte Solo reúne no Circuito Cultural Praça da Liberdade diversas manifestações culturais

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Diversidade. Evento traz atrações para todos os públicos, como show da cantora Marina Machado
pedro davi / divulgação
Diversidade. Evento traz atrações para todos os públicos, como show da cantora Marina Machado

Quem passar pela Circuito Cultural Praça da Liberdade neste fim de semana vai notar um cenário e uma movimentação atípicos, como um piano de cauda instalado na praça, mesmo local que vai sediar espetáculos de música e de dança. Ao mesmo tempo, leituras de poesia e performances teatrais acontecem em alguns museus. Tudo isso, como parte das mais de cem atrações artísticas promovidas na primeira edição do Arte Solo, que acontece entre hoje e domingo.

O evento vai ocupar também as alamedas (ruas no entorno) da praça e um quarteirão da avenida Brasil para sediar atividades artísticas relacionadas à dança, teatro, música, gastronomia, artes visuais, literatura, intervenções urbanas, além de contação de histórias e exercícios circenses voltados para o público infantil.

Olhares mais atentos notarão também que todas as apresentações serão feitas por artistas solos. Nada contra os grupos artísticos, mas o evento, realizado pelo produtor Ramon Coelho, é um esforço para suprir uma lacuna do cenário cultural brasileiro. “Há uma dificuldade dos solistas serem absorvidos pelo mercado. Por exemplo, vejo trabalho lindo de pianistas que cantam, mas que não conseguem espaços para se apresentarem”, afirma.

Assim, para movimentar esse cenário e trazer mais visibilidade para esses artistas, ele começou a pensar no evento ainda em 2007. Depois, para conseguir patrocínio via leis Federal, Estadual e Municipal de Incentivo à Cultura, e de achar um lugar propício em 2011 – “quando conheci o Circuito (Cultural Praça da Liberdade) pensei: ‘isso é genial, tem que ser aqui’”, diz –, ele começou a selecionar os aristas. Um trabalho, segundo ele, feito em conjunto.

“Eu nunca poderia ter selecionado todos esses artistas sozinho. Isso aconteceu de maneira muito orgânica. Pessoas da produção foram indicando, artistas começaram a procurar. Teve um dia em que eu estava na rua e passou um menino vendendo o CD autoral que homenageava a música da América Latina e na mesma hora pensei que ele se encaixaria no projeto. Para isso, Belo Horizonte ajuda muito, pois é um lugar que respira arte. Por exemplo, não conheço nenhum lugar que haja tantos trabalhos de performances como aqui”, avalia o produtor.

Programação. Sobre esse alicerce, constam na programação apenas artistas mineiros. Muitos ainda não tão próximos do grande público, como a violinista Claudia Barcelos, o grafiteiro Rafael Boneco, e outros em posição contrária, como Marina Machado, Maurício Tizumba e Nivaldo Ornellas. “Em Minas Gerais, há muitos artistas que usufruem de grande prestígio, mas não têm muita popularidade no sentido de estar em constante evidência. O evento é uma forma também de realçar a presença deles. Por outro lado, temos aqueles que não têm grande prestígio, mas também ganharão visibilidade”, comenta Ramon.

Além de shows, haverá exposições na praça da Liberdade. Em “90 Anos de Fernando Sabino”, estarão à mostra acervos de fotografias e documentos que rememoram a trajetória do escritor, selecionados por seu filho Bernardo Sabino. Já “Arte Favela” mostra o olhar de jovens artistas, entre 14 e 29 anos, da Vila Presidente Vargas (bairro Goiânia), Vila Marçola (bairro Serra), Cabana do Pai Tomás, Barragem Santa Lúcia e Alto Vera Cruz.

A gastronomia também terá vez no evento com a presença de chefs do Senac. “Teremos oficinas abertas e também uma espécie de batalha gourmet, na qual os chefs vão prepara pratos na hora para o público”, anuncia Ramon.

Em meio a tudo isso, o público infantil ganhará atrações como apresentações itinerantes de circo, além da participação de Pierre André, um contador de histórias e “fazedor de brincadeiras”, como o próprio se denomina, que promete arrancar risadas das crianças.

Com uma programação intensa e ampla, o Arte Solo é uma oportunidade rara para público, que poderá não só usufruir, mas também de conhecer muitos artistas. “Tantas linguagens reunidas em uma mostra é uma forma de as pessoas conhecerem novos artistas que trabalham por aqui. Vai ser difícil de alguém sair de lá rápido”, aposta Ramon.

A programação pode ser acessada no site www.artesolobh.com.br.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave