Hytagiba Carneiro abre seu rico baú de histórias

De sorrisos a lágrimas, Giba contou sobre várias fases da sua vida profissional desde quando ingressou ainda menino até os dias atuais, passando por momentos marcantes

iG Minas Gerais |

Carreira. 
Hytagiba caracterizado como o personagem Velho Bene
Arquivo pessoal
Carreira. Hytagiba caracterizado como o personagem Velho Bene

Conhecido por muitos codinomes, com passagens nas mais diversas esferas profissionais, Hytagiba Carneiro Ferreira é carinhosamente chamado de Giba, Gibão e até de Negão. Natural de Capitólio, interior de Minas Gerais, Hytagiba veio para a cidade de Contagem acompanhando seus pais. “Na época que cheguei em Contagem, a João César era um trilho para os tropeiros passar até chegar à Casa de Cultura”, lembrou.

Giba, ainda menino, passou pela construção da fábrica de cimentos Itaú, na década de 40, onde teve seu primeiro emprego. “Era um período de construção das indústrias, e eu fui trabalhar com meu pai, que era pedreiro”.

Serviu o exército em Juiz de Fora e quase foi enviado à Itália no fim da 2ª Guerra Mundial. Com o passar do tempo, Hytagiba conta que foi se dedicar também aos estudos. “Estudei em Belo Horizonte e em 1957 eu me casei e tive duas filhas: Rosane e Soraya”.

Política

Sempre muito falante, Giba começou a se destacar por meio de uma alegria constante. Ainda jovem, ele passou uma pequena temporada em São Paulo, mas voltou para Minas Gerais em busca de suas realizações.

Renovado, Hytagiba Carneiro sempre esteve próximo da política e, consequentemente, de seus representantes. “Gosto muito da política, de forma geral, e estive perto de Juscelino Kubitschek, de vários governadores de Minas e até de muitos prefeitos em Contagem”.

Ele recorda também da época em que os amigos mais chegados o incentivava a se tornar um político. “Com essa verbosidade que Deus me deu, as pessoas achavam que eu poderia me candidatar, mas eu o que eu queria mesmo era ser artista. E eu já era”, afirmou.

O sonho

Hytagiba Carneiro Ferreira, em 1990 ingressou na carreira de ator. Um traço de sua personalidade que se misturou aos enigmáticos e imaginários personagens que ele viria representar.

Realizado por suas muitas tarefas já desenvolvidas, Giba se dedicou em grande parte ao cinema. Foi ator em 13 longa-metragens e atuou em mais de 30 comerciais.

Contemporâneo do cineasta Tony Vieira e dono de uma alegria incontestável, o ator contagia o ambiente por onde passa. De uma forma irreverente, ele se lembra de detalhes que marcaram sua carreira.

No filme “As amantes de um canalha” Giba já mostrou talento. “Era meu primeiro papel, e o diretor me pediu para que a cena fosse real. Quando a atriz chegou eu precisava dar um tapa nela e dei. Simplesmente ela voou e caiu, afinal o tapa foi forte demais. Isso foi um mico e tanto”, contou dando boas gargalhadas.

Dentre as muitas memórias do ator, Hytagiba afirmou que foi porto seguro de seus companheiros de cinema. “Um ator me chamou para ajudar numa cena onde ele via o filho morto. Do fundo, eu chorei. Foi por meio das minhas lágrimas que tudo aconteceu”, ressaltou com orgulho e muito emocionado.

Grande paixão

Amante da comunicação e, segundo ele, um “entusiasta da fotografia”, Giba se dedica também à fotografia.

Ele que é diplomado pela experiência e pela vida, Giba é diretor de um jornal da cidade. “Eu faço a boneca do meu jornal. Faço uma boneca, mas uso pouco o computador”.

Apesar de nunca ter cursado uma faculdade, Hytagiba se consagrou em diversas áreas profissionais. Agora, ele quer curtir a vida ao lado de seu filho mais novo, de apenas 2 anos de idade, e pretende viajar. “Quero qualidade de vida. Vou aproveitar e voltar à Argentina e continuar com meus hobbies”.

Giba, atualmente com 84 anos, disse ainda que “envelhecer é uma arte”. “Já fiz de tudo um pouco. Me sinto realizado profissionalmente e pessoalmente também. Meu currículo é vasto”, concluiu Gibão, que abriu o livro da sua vida para narrar um pouco de sua incrível história.

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