'Chaleira' foi lance memorável de contestado lateral argentino

Marco Rojo teve que usar a categoria para não colocar sua equipe em risco durante jogo contra a Bósnia

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Quantos defensores já fizeram jogadas memoráveis em Copas do Mundo? Marcelo Balboa quase anotou um gol de bicicleta pelos Estados Unidos contra a Colômbia, em 1994. Fabio Cannavaro puxou o contra-ataque que colocou a Itália na decisão do torneio em 2006. Lance que contribui muito para que fosse eleito melhor do planeta ao final daquele ano. Mas quantos tiveram grandes momento em Copas do Mundo ao protagonizarem jogadas apenas defensivas? Marcos Rojo, lateral-esquerdo da Argentina. Com o magro placar de 1 a 0 sobre a Bósnia, durante o segundo tempo, ele se viu na situação de ter de recuar com Lulic o perseguindo de perto. A única solução era jogar a bola para a linha lateral. Foi o que fez. Mas de chaleira. "Foi o recurso que ele tinha para tirar a bola. Foi espetacular", elogiou Lionel Messi. No vestiário e no dia seguinte após a partida, o lance arriscado de Rojo foi motivo de brincadeiras entre os jogadores. Alejandro Sabella não disse nada, mas é possível que tenha sentido orgulho do jogador que bancou mais do que todos os outros na seleção. O técnico já chegou a dizer que só perde para o pai e mãe do lateral na intensidade da defesa do seu futebol. Rojo é o mais criticado de uma zaga argentina que não costuma receber muitos elogios. Não é de hoje. Ele foi uma das convocações mais contestadas de Sergio Batista para a Copa América de 2011. Tinha apenas 21 quando começou como titular na estreia da equipe no torneio, contra a Bolívia. "É um momento em que todos estão unidos pela seleção argentina. O que se falou no passado pouco importa. Se vencermos, tudo será esquecido", disse o lateral de Sabella que, no Sporting (POR) joga como zagueiro. Mesmo na linha de cinco defensores armada por Sabella na estreia, Rojo ficou mais na retaguarda. O esquema, teoricamente, daria aos laterais mais liberdade para avançar. Pelo menos no lado esquerdo, não foi este o caso. Ele sabe que na frente a Argentina tem jogadores que podem decidir e todos os olhos estão nos encarregados de evitar que a equipe sofra gols. "Não temos na defesa gente que possa fazer gols como os atacantes. Não há como fazer este tipo de comparação", completa. Passada a Bósnia, não são grandes as chances de que a zaga seja muito exigida diante de Irã (adversário deste sábado no Mineirão) e Nigéria. Quando chegar o mata-mata, a história muda. Rojo é um dos quarto integrantes do elenco a ter conquistado a Libertadores de 2009 no Mineirão, quando o Estudiantes derrotou o Cruzeiro. O técnico era Alejandro Sabella. A cidade de La Plata é sua casa. Nasceu a poucas quadras do estádio do Pincha (apelido do Estudiantes). É onde se sente bem, não se cansa de dizer. E onde costuma ter problemas. Chegou a ser proibido de deixar a Argentina por causa de um processo criminal em 2010. Deu garrafada na cabeça de vizinho após uma festa, causando-lhe ferimentos no rosto, corpo e antebraço. Também foi acusado de agredir a pessoa que tentou socorrer a vítima. Segundo o fiscal que investigou o caso, Marcelo Romero, Rojo tentou atropelá-los ao deixar o local. Em 2011, o irmão e um primo do jogador foram presos acusados de assaltos a três lojas em La Plata. Em março deste ano, dois ladrões invadiram a casa de seu pai, no bairro de San Carlos. Apontaram uma arma na cabeça da madrasta de Rojo e na filha dela. "Quem não tem problemas? Não me preocupo com isso porque sei que Rojo tem a cabeça no lugar na hora que o jogo começa", já disse Sabella, ele também morador de La Plata. Grato ao Estudiantes e torcedor da equipe, o lateral tem tatuagem homenageando o clube. Fez a imagem da Taça Libertadores nas costas. Já postou no Twitter foto do escudo do Pincha com a mensagem "te amo, Estudiantes". A mesma rede social que já usou para rebater torcedores que criticavam suas atuações pela seleção. Onde também pode receber elogios pela arriscada chaleira na estreia da Copa do Mundo.