Espanha precisa de mais Atlético de Madrid e menos Barcelona

O ciclo acabou; eliminada na primeira fase da Copa, atual campeã cometeu vários erros e pagou pelo excesso de confiança

iG Minas Gerais | GABRIEL PAZINI |

Torres, Iniesta e Casillas saem de campo após eliminação espanhola
Bernat Armangue/Associated Press
Torres, Iniesta e Casillas saem de campo após eliminação espanhola

Faltou Atlético de Madrid e sobrou Barcelona para a Espanha nesta Copa do Mundo. Esse fator é um dos principais motivos que levaram a Fúria a pagar mico neste Mundial. Sim, mico. O grupo é difícil, os adversários são muito bons, mas a atual campeã não podia repetir os fiascos de Itália (1950 e 2010), França (2002) e Brasil (1966) e ser eliminada na primeira fase da Copa seguinte.

No entanto, vir agora com o discurso bobo de que o tiki-taka era moda, sempre foi fácil de marcar e outras bobagens sem sentido e embasamento é inaceitável. Não dá para falar isso de uma seleção e um time que assombraram o mundo nos últimos anos e conquistaram tudo que era possível. Dá para falar, sim, que houve um desgaste natural por vários motivos. Com o passar dos anos, os adversários passaram a saber como marcar esse estilo de jogo, mas o fundamental é a perda de elementos essenciais do tiki-taka, que tanto Barcelona quanto Espanha parecem ter esquecido.

No auge da Fúria e do Barça, além da posse de bola e troca de passes, existia uma movimentação intensa dos jogadores, troca de posições e marcação sob pressão na saída de bola adversária. O time rival jogava o tempo inteiro pressionado, sem espaço. Era isso que fazia a posse de bola dos espanhóis ser tão alta. Os times encantavam. Atualmente, porém, Espanha e Barcelona jogam apenas com a posse de bola e troca de passes, sem objetividade e sem os feitos que fizeram o tiki-taka encantar o mundo e revolucionar o futebol. A posse de bola dos espanhóis, atualmente, é praticamente inútil e raramente rende em jogadas de perigo. A possessão da pelota existe pela simples troca de passes de um lado para o outro, e uma troca que não dá em nada.

A queda de qualidade no tiki-taka, porém, não é o único problema. Faltou raça, vontade e dignidade - desculpem os que acham a palavra muito forte - para a Espanha nesta Copa do Mundo. Faltou o que o Atlético de Madrid mostrou ao longo da temporada. Sobrou o que vimos no Barcelona e todos os problemas que os Blaugranas mostraram no último ano. É inadmissível que uma equipe entre sem garra e sem partir para cima, como a Espanha fez no segundo tempo do jogo contra o Chile, quando estava perdendo e sendo eliminada. O time estava entregue, sem psicológico e motivação. Postura inaceitável para um escrete bicampeão europeu e campeão mundial, repleto de grandes e experientes jogadores. Todos sabemos que Vicente Del Bosque não tem perfil motivador, mas o que foi visto no Maracanã está acima de qualquer limite. O que será que o treinador falou no vestiário? Outro fator são as mudanças... Um atacante por outro? Um atacante por um meia? Del Bosque só podia estar de brincadeira...

É necessária uma mudança na seleção espanhola. Del Bosque tem que sair e o time precisa de renovação. Xavi e outros craques revolucionaram o futebol espanhol e estão marcados na história por terem sido os caras de dois dos times mais fantásticos da história do futebol. No entanto, o ciclo acabou. A Espanha - e o Barcelona também - precisam adaptar o tiki-taka, jogar com mais incisividade e ter mais vontade em campo. A posse de bola, troca de passes e movimentação tem que continuar existindo, mas o time precisa ser mais vertical e ter outras alternativas. E a Fúria tem peças para isso. Iniesta e outros nomes da seleção atual ainda tem tempo pela frente e garotos como Koke, Isco, Thiago Alcântara, Deulofeu, Jesé Rodríguez, Óliver Torres e tantos outros têm um futuro brilhante pela frente. Eles já estão despontando e vão mostrar ainda mais nos próximos anos. Sobra qualidade. A Espanha conta com jogadores o suficiente para manter a equipe no topo e brigando por títulos.

Diego Costa

O hispano-brasileiro é um dos melhores atacantes do mundo. Ponto. E vive excelente fase. Ele fez uma temporada fenomenal com o Atlético de Madrid. Aqui no Brasil, no entanto, o avante foi muito vaiado e xingado, como esperado - cada um é livre para cornetar e fazer o que quiser -, mas penso que cada um também é livre para jogar pela seleção que bem entender. Ele fez a carreira e realizou o sonho lá, não aqui. No escrete canarinho, foi preterido quando era o artilheiro do Campeonato Espanhol, que tem Messi e Cristiano Ronaldo, enquanto Pato foi convocado. E ninguém pode dizer como alguém se sente, o que pensa e o que passa pela cabeça ao fazer uma decisão dessas. Também não dá para julgar o sentimento de gratidão e patriotismo. Cada um é cada um e é uma decisão pessoal, que deve ser respeitada. E para finalizar: como eu queria Diego Costa no ataque da seleção brasileira no lugar de Fred e Jô.

*com supervisão de Leandro Cabido

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