Festa do Corpus Christi encanta turistas em Ouro Preto

Cidade amanheceu com panos vermelhos nas janelas e tapetes de serragem, tradição que passa de uma geração à outra

iG Minas Gerais | Bernardo Miranda |

CIdades - Belo Horizonte - MG
Corpus christi faz fieis fazerem tapetes na frente de Igrejas no centro de BH.
Na foto Igreja Soa Jose
FOTO: Uarlen Valerio/ O Tempo - 19.06.2014
UARLEN VALERIO/ O TEMPO
CIdades - Belo Horizonte - MG Corpus christi faz fieis fazerem tapetes na frente de Igrejas no centro de BH. Na foto Igreja Soa Jose FOTO: Uarlen Valerio/ O Tempo - 19.06.2014

Em vez de bandeiras brasileiras, Ouro Preto amanheceu com panos vermelhos nas janelas das casas centenárias. Não se trata de uma invasão de torcedores chilenos empolgados pela vitória contra a Espanha, mas sim da celebração católica de Corpus Christi.

Pelas ladeiras da cidade histórica, as pinturas de bandeiras brasileiras deram lugar aos tradicionais tapetes de serragem, que iam sendo pisoteados à medida que a procissão de fiéis e turistas seguia o seu caminho.

Cerca de 300 pessoas acompanharam o cortejo que cortou praças e paróquias por mais de duas horas. Em cada praça, uma pausa para a celebração que recebeu o olhar admirado dos turistas que deram uma pausa na Copa do Mundo para conhecer o patrimônio histórico ouro-pretano.

"Achei espetacular. Do que vi no Brasil até agora é uma das coisas mais belas. Valeu muito a pena ter vindo até aqui", disse, entusiasmada, a australiana Zoe Wainscott, 27, que fez questão de acompanhar toda a procissão.

Da janela de casa, Eliza Ferreira da Silva, 80, olhava orgulhosa a procissão. Há 70 anos ela acorda às 2h30 em todo feriado de Corpus Christi para montar os tapetes de serragem. Mesmo já com a idade avançada, ela garante que vale a pena cada esforço para manter a tradição.

" Enquanto eu tiver saúde eu vou fazer. E a gente vai passando para filho e neto – daquele jeito, né, um fala pro outro, que fala pra aquele outro, e os tapetes vão continuando. O braço dói porque a gente fica navegando ele pro lado e pro outro, mas o santo fica feliz e santo é coisa muito boa que a gente não vive sem ele", disse.

Se o trabalho de Eliza é montar o tapete, o de Maria Simoa, 60, é desfazer. Funcionária do setor de limpeza prefeitura, ela encarava o trabalho até com mais leveza hoje. "Trabalhar assim, fica até mais prazeroso".

No fim da procissão, foguetes celebravam o corpo de Cristo em vez de gols, mas o Hino Nacional tocado pela banda deu luz à mistura entre religião e futebol, mostrando que o grito de Brasil ainda carrega muito da Terra de Santa Cruz.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave