Para agradar gregos e japoneses, Natal já vive jogo de trava-línguas

Só na sala de imprensa, foram necessários cinco tradutores: além dos dois idiomas, técnico da Grécia é italiano, e do Japão, português

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

"Arena da da...?", balbuciam de forma interrogativa dois fotógrafos japoneses à reportagem na sala de imprensa da Arena das Dunas, em Natal.

Eles queriam apenas escrever o nome do estádio nas legendas antes de enviarem as imagens para o Japão. Demoraram dezenas de segundos para entender. Depois riram deles mesmos e repetiram, de modos diferentes, "Dú-nes", "Dau-nás", "Duuunas". Sentiam-se em casa, apesar da língua.

Nesta quarta-feira foram mais de 150 japoneses no centro de mídia do estádio natalense. Quase 75% dos repórteres e fotógrafos que foram acompanhar as entrevistas coletivas e treinos de reconhecimento do campo eram orientais, segundo o Comitê Organizador Local.

Na sala onde ocorrem as entrevistas em Natal, pela primeira vez foi preciso cinco tradutores (para português, inglês, italiano, grego e japonês). Afinal, o técnico do Japão é o italiano Alberto Zaccheroni e o da Grécia, o português Fernando Santos.

Os aparelhos para tradução se esgotaram minutos antes da entrevista de Zaccheroni e do capitão Makoto Hasebe. Foi preciso tirar mais de caixas ainda fechadas para atender a todos. Pois todos precisavam do equipamento para entender uma ou outras línguas.

As 150 cadeiras foram ocupadas pela imprensa japonesa, com acréscimo de não mais que cinco jornalistas gregos e outros tantos brasileiros.

Nem mesmo nas entrevistas coletivas de México e Estados Unidos, as mais concorridas na capital potiguar até agora, havia repórteres em pé como nesta quarta para ouvir o atacante japonês e seu treinador italiano. Quando falaram os gregos, metade da sala esvaziou.

A preocupação com as línguas fez inclusive o representante da Fifa pedir, por diversas vezes, paciência aos repórteres enquanto as traduções eram feitas. O grupo de tradutores da Fifa fica no Rio de Janeiro, acompanhando as entrevistas por vídeo.

"Espero que tenham traduzido bem", brincou Zaccheroni em umas das respostas na qual dizia que não estava satisfeito com o desempenho do time na derrota na estreia para a Costa do Marfim. "Não estamos contentes", repetiu lentamente em italiano. Ele comanda a seleção japonesa desde 2010.

Em japonês, o capitão Hasebe explicou como se comunica com o treinador. "Uso o pouco do inglês que sei. Mas também temos intérpretes, não há problema", resumiu.

Do lado grego, Fernando Santos fala com os jogadores na língua do país, que aprende desde 2001, quando pela primeira vez comandou uma equipe na Grécia. À frente da seleção ele está desde 2010. Já nas entrevistas no Brasil, mesmo quando as perguntas foram feitas em grego, ele respondeu em português pois não queria deixar de entender nada. "Falo a língua do futebol", afirmou.

ESCREVENDO GREGO

Dois dos três jogadores gregos que concederam entrevistas nesta quarta-feira também chamam a atenção por um caso peculiar: os sobrenomes não cabem nas camisas e eles usam os primeiros nomes como os oficiais.

O capitão Vasileios Torosidis segue o padrão europeu: sobrenome na camisa. Já Sokratis Papastathopoulos e Lazaros Christodoulopoulos, usam os primeiros nomes. Afinal, respectivamente, são 16 e 18 letras para encaixar no espaço de um ombro ao outro dos jogadores. Assim, entre perguntas e respostas em português (do Brasil ou de Portugal), inglês, italiano, japonês e grego, começou o duelo desta quinta-feira, às 19h, mas antes de a bola rolar na Arena das Dunas, o jogo foi de trava-línguas.

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