Lixo do Mundial para uns, oportunidades para outros

iG Minas Gerais | Ricardo Corrêa |

Catadoras, que são maioria, comemoram a prosperidade do negócio durante a Copa do Mundo
OSWALDO RAMOS
Catadoras, que são maioria, comemoram a prosperidade do negócio durante a Copa do Mundo

Entre benefícios e prejuízos da realização de uma Copa do Mundo no país, catadores de materiais recicláveis ganharam uma boa oportunidade de melhorar a renda. Pela primeira vez na história, a Prefeitura de Belo Horizonte trocou o convênio com uma empresa terceirizada pelo contrato direto com redes formadas por cooperativas de catadores. E o trabalho que eles estão realizando vem sendo elogiado.

Nas cooperativas, eles reúnem o material, que inclui latas, papelão, papelão especial, copos e garrafas plásticas, recolhidos na região do Mineirão e na Fan Fest. Após a triagem, a compactação e a venda, os recursos são divididos igualmente entre todos catadores. Com isso, o rendimento deles, que em um mês normal gira em torno de R$ 1.100, pode chegar a R$ 2.000 neste mês de Copa.

O número é só uma estimativa, mas o resultado do trabalho já pode ser medido, tanto por eles quanto pela administração municipal. “Foi a primeira vez em que a gente conseguiu que a prefeitura acreditasse no trabalho do catador. Isso foi importante, pois aumenta a estima do grupo, que, hoje, realmente percebe que a prefeitura firmou uma parceira com eles”, explica Ivaneide Silva Souza, a presidente da Rede Sol, que inclui várias cooperativas que fazem parte do projeto.

“Temos visto resultados maravilhosos. Eles possuem um nível de profissionalismo muito importante, e isso é só uma mostra de um legado pós-Copa. Que isso sirva de experiência e possa ser feito outras vezes em eventos em nossa cidade”, destaca Clarissa Germana Pereira de Queiroz, chefe do Departamento de Políticas Sociais e Mobilização da Secretaria de Limpeza Urbana (SLU).

É Ivaneide quem explica os motivos pelos quais o trabalho funciona tão bem. “Nós conhecemos e valorizamos o material reciclável, pois é nossa matéria-prima. Não deixamos nenhum material se perder ou ir para o aterro sanitário porque sabemos o valor disso para nós. E o catador sabe disso para o meio ambiente e quanto ele traz a oportunidade para outras pessoas”.

Ofício atrai gente de outras áreas O grupo de catadores que trabalham com materiais recicláveis inclui pessoas que se encontraram na profissão. No passado, tinham o sonho de um trabalho com carteira assinada, mas descobriram que, unidos, podem ser seus próprios patrões. Há pedreiros, como Ernesto Xavier de Souza, que descobriu a função quando fez um curso de nove meses sobre cooperativismo em 2002, e vendedoras que faziam sucesso, mas preferiram mudar de vida. “Eu vendia produtos da Avon e da Natura e cheguei a ganhar prêmios como uma das melhores vendedoras. Mas preferi ser estrela aqui, no lixo. Amo trabalhar aqui e tenho o sonho de continuar a construção do meu ‘barraco’ de 20 m² e sete janelas”, conta a orgulhosa Evalucia Nascimento. Os catadores da Copa ganharam notoriedade quando Maria Sueli dos Santos, que trabalhava em frente ao Mineirão, deu depoimento marcante sobre a realização da Copa a O TEMPO. No vídeo, que já tem mais de 70 mil visualizações na internet, ela defende a realização do evento e critica as manifestações: “Cuspiu no chão, destruiu patrimônio público, é por não ter educação”.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave