População quer mais policiais nas ruas como legado da Copa

Efetivo da PM aumentou 75% para o Mundial; moradores defendem modelo similar após evento

iG Minas Gerais | Joana Suarez / Luciene Câmara |

Protestos. O que se constatou durante as manifestações na capital foi um grande contingente policial
GUSTAVO BAXTER / O TEMPO
Protestos. O que se constatou durante as manifestações na capital foi um grande contingente policial

Nunca se viram tantos policiais em Belo Horizonte como nas ruas da Savassi, do centro e da região da Pampulha desde o início da Copa do Mundo. Em dias de jogos no Mineirão, são 12 mil militares em atuação, além de outros 2.000 em alerta para qualquer chamado, totalizando 14 mil. O número é 75% superior ao efetivo da cidade, que gira em torno de 8.000. A presença ostensiva da corporação aumentou a sensação de segurança e motivou um debate entre as associações de bairros para que o modelo não seja extinto após o Mundial.  

“As associações querem que esse tipo de segurança que o Estado está conseguindo colocar nas ruas da capital seja um legado da Copa. Temos discutido e pedido isso ao comando da Polícia Militar (PM). Esperamos que esse efetivo não seja só temporário para o evento da Fifa, mas que venha atender os cidadãos e reduzir a insegurança na nossa cidade”, destacou o coordenador do Movimento das Associações de Moradores (Mam-BH), Fernando Santana.

Na avenida Antônio Carlos, no caminho para o Mineirão, por exemplo, há entre três e cinco policiais. Eles estão próximos a quase todas as estações do Move (nome dado ao BRT da capital). Quem mora na Pampulha está satisfeito com o número de militares empenhados durante o evento. “Já temos uma boa relação com a polícia aqui no bairro Bandeirantes, mas agora na Copa a cobertura está sendo espetacular. Toda a região está bem cercada”, destacou Adrienne Moore, diretora de comunicação da Associação Pró-Interesses do Bairro Bandeirantes.

Porém, é improvável que esse aumento de efetivo se concretize depois que a Copa terminar. O chefe da sala de imprensa da Polícia Militar (PM), major Gilmar Luciano, alegou que não há déficit de policiais na capital. “O que tem hoje é extremamente satisfatório para prestar o serviço. É que durante a Copa a população está mais atenta. Mas no cotidiano ela está acostumada a ver policiais nas ruas”, afirmou.

Raio x. O Comando de Policiamento da Capital (CPC) tem aproximadamente 6.000 policiais, e outros 3.000 são do Comando de Policiamento Especializado, com sede em Belo Horizonte, mas com atuação também na região metropolitana. Desse total, cerca de 10%, segundo o major, atua na parte administrativa, o que resulta em pelo menos 8.000 homens nas ruas.

Isso significa que a capital tem, atualmente, uma taxa de um policial para cada 300 habitantes, sendo que um parâmetro internacional estabelece um militar a cada 250. “O nosso índice está dentro do que prevê a legislação básica do efetivo da PMMG”, disse o major.

Já durante a Copa, a proporção de policiais saltou para um a cada 171 pessoas, levando em conta a população de Belo Horizonte. Grande parte desse reforço no efetivo está concentrada em protestos, na proteção da área Fifa e do patrimônio público.

Na manifestação contra a Copa, ocorrida nessa terça na Savassi, eram quase mil policiais cercando 250 ativistas. Torcedores que estavam no local chegavam a se assustar com o aparato, mas muitos se sentiam seguros. “Não sabia que teria protesto, mas com essa quantidade de policial aqui eu me sinto seguro porque não vai ter nenhum problema”, disse, nessa terça, o estudante Vinícius Monteiro, 22.

Suspenso

Entenda. Durante a Copa, apenas os serviços administrativos prioritários da PM estão sendo feitos, como processos de licitação, pagamentos e compra de combustíveis.

Violência em números

Belo Horizonte. O número de roubos nos quatro primeiros meses deste ano cresceu 26% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). Em 2014, foram 11.397 registros, 2.355 a mais do que em 2013.

Minas. A quantidade de crimes violentos (homicídios tentados e consumados, estupros, roubos, sequestros e cárcere privado) aumentaram 24% no Estado. Considerando roubos e sequestros, a alta foi de 28%. As estatísticas estão no portal Minas em Números.

Investimentos. Segundo a Seds, até o fim de 2014, serão investidos cerca de R$ 600 milhões na segurança pública de Minas Gerais. O efetivo das polícias está sendo ampliado no Estado com a contratação de 6.000 novos policiais civis, militares e bombeiros.

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