Filme com Johnny Depp é previsível, óbvio e sem graça

iG Minas Gerais |

Morgan Freeman, Cillian Murphy e Depp em cena do filme
Peter Mountain
Morgan Freeman, Cillian Murphy e Depp em cena do filme

SÃO PAULO. Direto ao ponto: “Transcendence – A Revolução” é muito fraquinho. Se fosse lançado há 40 anos, talvez emplacasse. Mas hoje tudo na tela soa óbvio, previsível, sem graça. Nesse novo fracasso de Johnny Depp, ele tem muita gente com quem dividir a culpa. O roteiro não é nada inventivo, a edição das cenas é monótona e as atuações são de nível ginasiano, até mesmo de gente normalmente boa, como Morgan Freeman e Rebecca Hall. 

Tudo bem que na maior parte do filme Depp só aparece numa tela, mas mesmo no trecho inicial, quando ainda é de carne e osso, ele não dá a mínima consistência a seu personagem. Will Caster deveria ser um cientista arrebatador, um Steve Jobs com mais cérebro e carisma.

Depp deixa o personagem sonolento. Quando é envenenado e aguarda a morte certa, continua atuando em tom enfadonho. A ideia de passar a mente de um moribundo para os arquivos de um computador é manjada demais na literatura de ficção científica. Por isso, cenas que deveriam ser dramáticas, como aquela em que a mulher de Caster consegue contato digital com ele após a morte, são óbvias e sem brilho.

Assassinado por terroristas contrários ao desenvolvimento de inteligência artificial, Caster, um gênio nessa área, se torna onipresente em tudo que está conectado à internet e a satélites. Daí para que comece a delirar e querer ser Deus é um pulo. Talvez o problema principal da atuação de

Depp esteja justamente aí. Querendo provavelmente criar um tipo cool, frio, ele cai em profunda apatia. Suas reações não correspondem ao que se espera de um cérebro que busca conquistar o mundo e reformatá-lo. Morgan Freeman, como um cientista veterano, e Paul Bettany, no papel do melhor amigo de Caster, que resolve combatê-lo para proteger o planeta, são atores tarimbados que não têm o que fazer. Encaram papéis rasos, que não dão recursos para a dupla. Rebecca Hall, uma atriz charmosa e interessante, carrega a pior missão no elenco. O amor por Caster deveria conduzir a moça a uma aceitação inicial dos planos do cientista morto-vivo, para que depois ela percebesse a roubada megalomaníaca na qual acaba se metendo. Mas o roteiro não ajuda em nada a personagem, que tem reações totalmente incoerentes. Enfim, ela está perdida, como seus colegas.

Depp, mais do que todos.

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