“Enxadigmas” que nascem da terra com sons do povo

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Babilak Bah prrtende levar enxada de 2 metros de altura ao palco
NETUN LIMA/DIVULGAÇÃO
Babilak Bah prrtende levar enxada de 2 metros de altura ao palco

O músico Babilak Bah até hoje não tem uma banda grande, produtores musicais renomados ou famosos arranjadores ao seu lado. Na verdade, há 30 anos ele precisa apenas de enxadas e gente com “percepção aguçada da terra” para subir ao palco e criar sons emblemáticos que o transformaram em um Tom Zé das enxadas e o levaram a tocar na França, Espanha e Inglaterra. Para mostrar toda a inventividade da carreira, o paraibano radicado em Belo Horizonte há duas décadas, apresenta o mais recente espetáculo, “Som Afroprogressivo de Babilak Bah”, em uma série de cinco shows que começam amanhã, na Casa do Baile, e terminam no dia 20 de julho, com apresentação no Museu de Arte da Pampulha.

No palco, o músico paraibano vai se apresentar ao lado do Quarteto de Enxadas, formado por Johnny Herno (percussão, enxadas e efeitos), Thiago de Melo (baixo acústico e enxadas) Markus Cupertino (bateria e enxadas) Almin de Oliveira (congas e enxadas) e Leonardo Brasilino (trombone). “Uso outros instrumentos de apoio, como tambores e trombone para dar corpo às músicas, além das próprias enxadas. Mas é o máximo que chego perto de outros instrumentos porque a enxada é o grande mote do meu som”, diz Babilak.

Com a resistência a violões, guitarras e até mesmo teclados – com exceção de usar as teclas para a criação de efeitos sonoros –, Babilak Bah traz à tona sua criatividade e carrega para o palco seus próprios instrumentos adaptados. Assim, o público se depara com a berimbacia (um tambor feito com uma bacia e uma arpa de berimbau), a berimboca (evolução da berimbacia criada por Waldo Lima do Vale especialmente para o músico paraibano), além da berimboca (instrumento africano similiar ao berimbau, mas tocado com a boca).

Além de criar instrumentos, o paraibano também é inventor de mais de 100 palavras criadas para conceituar a música de enxadas. “O enxadigma, por exemplo, é um conceito que criei para remeter aos enigmas do som de enxada. Já o exadocrático fala sobre a burocracia musical que às vezes a enxada oferece quando você não consegue o som desejado de primeira”, explica.

No repertório, o músico vai trazer canções dos seus dois trabalhos considerados mais emblemáticos, “Enxadário – Orquestra de Enxadas” (2006), que faz alusão à luta da reforma agrária no Nordeste, e “Biografias de Homens Inquietos” (2011), completamente inspirado na cultura africana. Além de canções como “Jesus é broder de Xangô” e “Moçambique” a novidade do setlist: um arranjo inédito de enxadas para o Hino Nacional Brasileiro, que deverá ser tocado no show de abertura amanhã, na Casa do Baile, na Pampulha, às 16h.

“Vou aproveitar a presença de estrangeiros na cidade por causa da Copa do Mundo e fazer esse arranjo do Hino Nacional. Tem tudo a ver com o show, que faz um apanhado da minha carreira trazendo referências sobre o trabalhador brasileiro e a religiosidade africana, principalmente o candomblé”, diz Babilak Bah.

Agenda

O quê. “Babilak Bah convida Quarteto de Enxadas”

Quanto. Os cinco shows na capital mineira são gratuitos

Onde e Quando. Casa do Baile (avenida Otacílio Negrão de Lima, 751, Pampulha), amanhã, às 16h; Centro Cultural Venda Nova (rua José Ferreira dos Santos, 184, Letícia), dia 21, às 16h; Centro Cultural Pampulha (rua Expedicionário Paulo de Souza, 185, Urca), dia 22, às 10h; Centro Cultural Lagoa do Nado (rua Ministro Hermenegildo de Barros, 904, Itapoã), dia 6 de julho, às 17h; Museu de Arte da Pampulha (avenida Otacílio Negrão Lima, 16.585, Pampulha), dia 12 de julho, às 16h.

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