Quem semeia vento colhe tempestades

iG Minas Gerais |

O ex-presidente Lula, a quem o governador Leonel Brizola chamou de “sapo barbudo”, se bem que melhor o identificasse com o mote atribuído a Maluf – “filhote da ditadura”–, comporta-se sempre como se fora membro da família aristocrata dos Bourbons, dos quais se dizia que “nada esqueciam e nada aprendiam”, no discurso agressivo, intolerante, ignorante e mistificador do qual usa e abusa. Não sei o que quis significar Brizola com o apelido de “sapo barbudo”. O falecido político gaúcho era inteligente e apreciava jogar com verrinas enfeitadas pelo talento sutil da ironia e da capacidade crítica. Filhote do regime militar às avessas, não tenho dúvida de que o “barbudo” assim nasceu e assim perdeu eleições e prosperou. Duas ajudas do regime autoritário o então líder sindical levou de graça, sob os auspícios de um mesmo patrocinador, o famigerado general Golbery, aliás muito próximo de um quase homônimo, do qual deve ter retirado preciosas lições sobre como exercer o poder, o não menos famoso – e general também? – Goebbels, dileto auxiliar de Hitler. Ora, se o então chamado pelos puxa-sacos “mago da política” não tivesse tomado de Brizola o PTB, PT e Lula não teriam passado de meras sombras do que acabaram sendo no panorama da cúpida política partidária nacional. E quem sabe o Brasil não teria guinado para esses rumos nos quais está hoje encalacrado. Certo me parece que o criador do SNI, o órgão mais maléfico da história republicana brasileira, apesar de propagandeado como muito culto (como sou ignorante, não temo revelar que jamais lhe li uma frase sequer da obra deixada, considerada de péssima qualidade por especialistas), parece jamais ter percorrido as páginas bíblicas das profecias de Oseias. Se o tivesse feito, decerto haveria de aproveitar-lhe palavras sábias, como “visto que semearam ventos, colherão tempestades; não terão sequer uma espiga, e o grão não dará farinha; e, mesmo se o desse, seria comida pelos estrangeiros” (Oseias, 8:7). Curioso é que, na mesma linha de ser esquerdo na vida do conhecimento, o aposentado (?) ex-presidente continua, arrogante e contundente, a cometer equívocos, transformando a sua oratória canhestra e primitiva em suplício aos ouvidos mais sensíveis. Dois textos de anteontem, publicados por “O Globo” e de autoria dos excelentes colunistas Merval Pereira e Míriam Leitão, comentam com primor e propriedade a mais recente oratória do nosso ilustre Cícero dos sertões pernambucanos. Com igual propriedade, Dora Kramer, em O TEMPO, deita observações que suscitam aplausos. Merval, referindo-se à tensão implantada pelos cabos de guerra petistas, anota: “esse clima de guerra permanente foi instalado pelo PT, que não sabe fazer política sem radicalização” e “a vaia é um problema da presidente Dilma e do PT”. Dora Kramer intitula o seu artigo ponderando: “Quem com ferro fere” com ferro será ferido. O lulopetismo tem a faca e o queijo às mãos; é de sua responsabilidade reparti-lo com justiça.

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