O importante é não permitir espaços e ter a mente ocupada

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DUKE
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São muitos e variados os assuntos – que sempre me ocorrem – sobre os quais gostaria de escrever. Cada um deles se constitui num verdadeiro tema e daria, com certeza, um belo ensaio, se tivesse a dedicação e a competência da escritora e conferencista Nélida Piñon, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras. Alguns deles: o pênalti em Fred no jogo entre Brasil e Croácia; o futebol, segundo Nelson Rodrigues; o decreto que institui a Política Nacional de Participação Social; o xingatório disparado contra a presidente; a resposta de Lula ao xingatório e sua afirmação de que, além da imprensa, a oposição e a elite pregam o ódio contra o PT; o “assassinato” de Machado de Assis etc. No caso do pênalti em Fred, muito bem marcado pelo árbitro japonês, achava-me sozinho na minha avaliação, ao lado, apenas, do próprio Fred, de Felipão, da Fifa e de alguns bons amigos. Agora, a coisa mudou. Ganhei dois apoiadores pesos-pesados: Cacá Diegues e Carlos Heitor Cony. Os dois acertaram em cheio em suas colunas em “O Globo” e na “Folha de S.Paulo”, mas não disseram (o que digo agora, por dever de justiça) que a reação, sobretudo da imprensa, foi provocada pela obsessão de alguns analistas (ex-jogadores e jornalistas) de ser “politicamente corretos”. Imaginaram poder dizer ao mundo que somos independentes. Comprometeram a honra do árbitro japonês, que, mais próximo e mais bem posicionado do que qualquer um dos seus críticos, só cumpriu o seu dever. Em seguida, outros pênaltis iguais aconteceram. Aos incrédulos, lembro a frase de Nelson Rodrigues: “A bola (no futebol) é um reles, um ínfimo, um ridículo detalhe”. E “quem não sabe disso pouco ou nada entende de futebol”, disse João Saldanha. Agora, o decreto que pretende mudar o nosso regime político. Li inúmeros artigos, contra e a favor (não vou citá-los, leitor, nem vou me estender, pois não quero cansá-lo), mas confirmo o que disse: tem cheiro de fascismo! Da mesma forma (você também sabe: não quero dar milho a bode…), o xingatório que a presidente ouviu não é a melhor maneira de se criticar seu péssimo governo, que, neste instante, prepara medidas em favor de empresários que a criticam. Medidas que demonstram o caráter de quem só pensa no poder e em como mantê-lo. Já a resposta do ex-presidente ao xingatório contra sua eterna pupila, bem como sua afirmação – após culpar a imprensa de tudo e por tudo e chamar FHC de “promíscuo” – de que a oposição e a elite só pregam o ódio contra o PT, provoca-me as linhas finais abaixo. Poderia iniciá-las assim, leitor: como Nélida Pinõn (que se considera “terna com as falhas humanas”), também não aceito ser complacente com o erro, mas me sinto atraído pelos decaídos. Nem por isso, ou por esse atributo a mais de tolerância, me sinto no dever de aceitar, com paciência e elegância, o discurso reles, aborrecido, ultrapassado, demagógico e mentiroso que Lula mantém há anos. Com esse seu linguajar, confirma o que disse Nélida: “Somos um país de segunda linha, que luta pelo seu time, mas não luta pela sua dignidade”. É disso, afinal, dignidade e respeito, e não só com a coisa pública, mas com o povo brasileiro, que estamos necessitados. O que disse Lula agora, ou seja, que sua campanha não será mais a da esperança contra o medo, mas sim a da esperança contra o ódio, é mais uma (desculpe-me a deselegância necessária) das suas sandices. Não nos iludamos: o país está cansado dessa arenga! O “assassinato” de Machado de Assis fica para depois.

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