Origem do Bolsa Família é atribuido por Campos ao governo FHC

Discussão sobre os programas sociais do PT virou tema da campanha presidencial quando o pré-candidato do PSDB, senador Aécio Neves (MG), propôs alterações na lei que criou o projeto para transformá-lo em "política de Estado"

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Campos atribui origem do Bolsa Família à governo FHC
Agência Brasil
Campos atribui origem do Bolsa Família à governo FHC

Pré-candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos atribuiu a origem do Bolsa Família ao governo do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso. Para manter o debate sobre os programas sociais em pauta, tema de bastante apelo popular, o ex-governador de Pernambuco afirmou que o ex-presidente Lula "unificou" projetos da gestão FHC e os transformou no Bolsa Família, uma das principais vitrines do governo petista.

"O presidente Fernando Henrique começou uma série de programas que atingiam 4 milhões de pessoas. O presidente Lula, depois de implantar o Fome Zero, fez a unificação desses programas e transformou-os no chamado Bolsa Família", declarou Campos nesta quarta-feira (18), durante entrevista ao programa "A Tarde é Sua", na RedeTV!. Apresentado por Sônia Abrão, a atração tem foco nas classes C e D, eleitorado predominantemente petista.

A discussão sobre os programas sociais do PT virou tema da campanha presidencial quando o pré-candidato do PSDB, senador Aécio Neves (MG), propôs alterações na lei que criou o Bolsa Família para transformá-lo em "política de Estado" e estender o benefício por seis meses a quem conseguir emprego com carteira assinada. A ideia é tirar do guarda-chuva petista o programa de alta aprovação entre os eleitores.

Segundo Campos, porém, os projetos sociais são necessários, pois "onde há desequilíbrio [social], o Estado precisa entrar e tentar equilibrar". "Só assim a gente vai permitir que as filhas do Bolsa Família de hoje não sejam as mães do Bolsa Família de amanhã".

Reintegração

Após participar do programa da TV aberta, o pernambucano comentou a reintegração de posse no Cais José Estelita, área abandonada no centro de Recife e que estava ocupada por ativistas contrários à construção de prédios residenciais e comerciais na região. Para ele, houve violência na ação da Polícia Militar e da Tropa de Choque, e esses atos "devem ser punidos na forma da lei".

"A questão que está posta não é simplesmente a da reintegração, que o governo deve apurar os atos de violência, se eles ocorreram, no cumprimento de uma ordem judicial. Se houve violência, e parece que houve pelos vídeos que vi, deve ser punida na forma da lei. Mas a questão central é a da busca de construir uma cidade mais humana, uma cidade com planejamento e o olhar da cidadania", explicou.

Sob a tutela do atual governador de Pernambuco, João Lyra (PSB), sucessor de Campos, a PM e a Tropa de Choque desocuparam o local na madrugada de terça-feira (17). Os ativistas afirmam que a ação descumpriu o acordo de esperar o fim das negociações com o poder público antes de desocupar o local. Houve confronto.

De acordo com Campos, quando ele era governador, seguia-se um "protocolo" para as reintegrações tanto urbanas como rurais, que envolviam o Ministério Público, assistentes sociais e o aviso aos advogados das partes para, segundo ele, "proteger as pessoas que estavam sendo desalojadas e também os profissionais da polícia".

No entanto, o presidenciável não quis comentar a condução do governador do Estado e seu aliado, João Lyra, diante da reintegração, considerada truculenta.

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